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a noiva satyriana
 Robert Doisneau
Os Satyros vestiu o palco de noiva, isso não é metáfora. A companhia está em cartaz com Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues. Se você já conhece o grupo e o autor, já pode imaginar o que acontece no palco, uma montagem insana e lírica, com insights que só eles são capazes. Projeção de imagens, cirurgiões açougueiros, velhos sonhos, grinaldas de uma defunta. Vá hoje mesmo.
Serviço Vestido de Noiva (80min, 14 anos) - Drama. grupo: Os Satyros - texto: Nelson Rodrigues - direção: Rodolfo Garcia Vázquez - elenco: Cléo de Paris, Ivam Cabral, Alberto Guzik, Silvanah Santos, Phedra D. Córdoba, Brígida Menegatti, Thiago Guastelli, Paulo Ribeiro, João Baldasserine, Chico Ribas, Masuque Oliveira, Fernanda Mandagará, Selma Trajano, Maíra de Grande, Fabio Pena e Helena Ignez (atriz convidada).
Centro Cultural São Paulo, Rua Vergueiro, 1000 - Sala Jardel Filho Quarta a sábado, às 21h; domingos, às 20h - até 07 de setembro - R$ 15,00
Escrito por Andréa del Fuego às 10:29 AM
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Quase caio

Opa, mais um livrinho! Quase caio é um juvenil de crônicas que faz parte da coleção Crônicas & Blogs publicada pela editora Escala Educacional. As ilustrações são de Fernando de Almeida. O livro é uma coletânea de textos que publiquei nesse e num antigo blog. Como são crônicas do meu cotidiano, esse é praticamente um livro autobiográfico. Ainda estão na coleção a Ivana Arruda Leite, Indigo e Nelson de Oliveira.
Segue uma crônica:
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Rato
Agora essa. Apareceu um rato em casa, atrás do fogão. André saiu atrás, o rato se enfiou na sala e sumiu. Rato é corda de navio pestilento, Idade Média, algo que me espia sem que eu veja. Corri comprar produtos de limpeza profunda, limpar minha alma da peste negra, ver se a assepsia expulsaria o roedor.

Depois do jantar, enfiei minha cara na fruteira e eis que a pêra nos revela: a polpa roída por dentinhos, ele comeu nossa fruta. André acha que não é um rato, mas uma rata grávida procurando alimento, tentando fazer ninho, mas onde? Atrás do meu fogão? O fogão não é dela e esse ninho é meu, ela vai ter que entender isso.
Visto que ela sobe na mesa, entra em fruteira e rói, botei as frutas na geladeira, o resto inviolável dentro de potes. No dia seguinte a vingança, a madame não achou comida e jogou meus cadernos de receita pelo chão da cozinha. Na lavanderia, onde boto panos de prato na programação oito, molho e água quente, ouço um farfalhar, mas não a vejo. A rata está num buraco debaixo da porta, como ela passa por ali só um cristão explica. André, que não é cristão, acha que há uma galeria e que a rata tem amigos. É possível que tenha havido um arranjo pelo quarteirão, uma pizzaria foi dedetizada e eles encontraram refúgio em nossa casa, estão sozinhos e precisam de um abrigo, André defendeu.

Tenho fé e pânico, acho que pode ser uma desgraça e se eu sobreviver a isso, serei mais gorda e sábia. A rata pode entrar de madrugada em meu quarto, procurando alguma pipoca do filme anterior. Instalar-se atrás da privada quando eu estiver indefesa. Observar que livro escolho na estante enquanto ela espera a digestão das pêras ao lado de um almanaque. Soltar o gancho do telefone, teclar números e falar com os parentes numa pizzaria do Bexiga. Querer fama e deixar a marca das patas na manteiga enquanto passo café no fogão.
Bom dia, como mato ratos?

A senhora pode levar esse tapetinho com cola, o cheiro atrai, ele pisa e fica colado, morre aí mesmo. Temos esse pó, ele come e vai ficando seco até virar uva-passa, bom que não deixa sujeira. A ratoeira acabou, uma padaria levou o meu estoque.
Outra opção, pensei, era deixar a casa para a rata e ir morar com minha mãe. Não tenho problemas com baratas, nunca matei uma. Claro que as afasto para que as visitas me imaginem sã, mas pisco para elas, admiro seres arcaicos. Lagartixas não me aborrecem tampouco, parecem de borracha com tinta preta na barriga que é o bolo estomacal com pernilongo, mosca, borrachudo e barata. Agora, outro mamífero comendo minha pêra, não trabalho.

Escrito por Andréa del Fuego às 11:42 AM
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"As gaivotas de 1933 estão todas mortas, naturalmente." - Vladimir Nabokov
 André Kertész
Escrito por Andréa del Fuego às 12:29 PM
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Bienal gostosinha
Nessa sexta-feira, 22 de agosto, autografarei o Sociedade da Caveira de Cristal na casa da Scipione, nos aconchegaremos das 15h às 16h. O stand da Ática/Scipione fica bem na entrada, se estiver por lá, não tem como nos perder.
Na fitinha um resumo da conversa que aconteceu no primeiro lançamento do livro, na Livraria da Vila.
Até já.
Escrito por Andréa del Fuego às 04:46 PM
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Bienal tensa
Rapaz, no último sábado tive uma reveladora experiência como mediadora. O bate-papo com Santiago Nazarian e Indigo durou menos de trinta minutos. Assim que cheguei me dei conta de que a conversa não seria no Salão de Idéias, mas num espaço infantil da Fundação Volkswagen. Com a mudança, estávamos fora do lugar divulgado aqui no blog e nos blogs dos autores, fui calculando a condução da conversa caso as crianças comparecessem. Estava ali a convite de Claudio Daniel, poeta que eu respeito, e tentaria o melhor por ele.
Dito e feito: às 19h30 o espaço estava repleto de meninas e meninos atentos. Indigo tem um público adolescente, faria elo com as crianças, mas Santiago é dono de literatura adulta e não estava preparado para o público-mirim. Ele disse aos pequenos sobre o personagem que se matava de várias formas e revelou outro que teria sido abusado pela professora. Resumindo, a organização me pediu que terminasse a conversa.
Como mediadora fiquei no fogo cruzado entre organizadores, autores e crianças. Não fiz as perguntas que faria aos autores, na hora adaptei questões simples com distribuição de brindes. Depois dessa mesa posso mediar o que você quiser.
Apóio iniciativas literárias, os encontros e principalmente a formação de leitores. Conte comigo. O que houve ali foi desinformação (muita gente perdeu o papo porque não nos encontrou) e angústia, menos das crianças. No final, uma senhora da platéia estava puta com os autores enquanto um menino de uns cinco anos veio me dizer:
"Queria saber em qual livro dele tem mais aventura."
As crianças, embora não entendam muito do que foi dito, sabiam que eram palavras proibidas por adultos e por isso fascinantes.
Um outro dado se soma ao sábado, a Bienal faz todo autor perceber seu papel na cadeia literária, ele é um fornecedor de matéria-prima, moela pra fazer salsicha, insumo pra Perdigão. A Bienal é um encontro importante de negócios, dos mais importantes para a fila andar entre livros e suas conexões. O autor é que fica pequeno, do tamanho da falange de um dedinho de criança. Minha mãe diz que só fica pequeno quem nunca foi grande, então vamos ao trabalho que eu tô com pressa. É por isso que escrever não tem nada a ver com publicar, nem com ser amado, lido, pago, elevado, aceito e saciado.
E a programação na Fundação Volkswagem com apóio da Casa das Rosas continua:
Dia 19 – TERÇA-FEIRA 19h30 Entrevista com os poetas Paulo Ferraz e Marcelo Montenegro Apresentadora: Greta Benitez
Dia 20 – QUARTA-FEIRA 19h30 Entrevista e recital com os poetas Andrea Catropa e Rafael Daúde Apresentador: Donny Correia.
Dia 21 – QUINTA-FEIRA 19h30 - Entrevista e recital com as poetas Tatiana Fraga e Greta Benitez Apresentador: Frederico Barbosa.
Dia 22 –SEXTA-FEIRA 19h30 - Entrevista e recital com o prosador Claudinei Vieira e o poeta Rui Mascarenhas Apresentador: Claudio Daniel.
Dia 23 – SÁBADO 19h30 Entrevista e recital com os poetas Ana Rüsche e Allan Mills Apresentadora: Tatiana Fraga.
Escrito por Andréa del Fuego às 11:06 AM
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Faz tempo que não vou ao teatro.

Dizem que o teatro começou celebrando a natureza. Originário da Ásia, o culto agrário teria chegado à Grécia e lá se associado à colheita de uvas e às estações do ano. A principal solenidade teria sido a caça, um animal selvagem era sacrificado e a carne servida em banquete. Dança e música vieram na guarnição, a montagem já continha os germes da representação e linha dramática.
De lá pra cá, raramente nos reunimos em torno de uma celebração assim, tirando natal e reveillon que podem ser dramáticos do pernil estraçalhado ao tio carente.
A celebração está praticamente confinada numa televisão, o eletrodoméstico no altar da sala traz a maior parte da produção dramatúrgica em forma de novelas, seriados e filmes. Através de um autor, um diretor, atores e equipe, ritualizamos traições, despedidas, a morte e as travessias.
Longe da zona rural, não mais celebramos os ciclos da natureza e rogamos à ela fertilidade. Na cidade busco abstração da porta de casa pra dentro. Como resmungou Nelson Rodrigues, "a televisão fechou a janela". Não fechou só pela comodidade, televisão é o ritual portátil que eu levo no bolso.
Acontece que aplaudir o espetáculo é uma lavoura arcaica, na platéia recordarmos remota época em que o homem rodava e o céu chovia. Não precisa evocar fenômenos nem durar seis horas, ou pode sim, vai quem quer para o teatro que está precisando. Aquela encenação naquele dia, naquela hora, nunca mais se repetirá. Não tem rewind. Mas tem forword, é só voltar lá.
Retorne e me chame.
Escrito por Andréa del Fuego às 11:49 AM
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Laboratório de Leitura
Esse é o programa Laboratório de Leitura. Participei de uma das edições que também exibiu parte de uma entrevista com Cristino Wapixana, escritor e compositor, falando sobre literatura indígena.
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Conheça aqui o Laboratório de Leitura.
Escrito por Andréa del Fuego às 02:08 PM
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Racif, mar que arrebenta Marcelino Freire escreveu um livro de amor, aquele amor que arrebenta. O seu melhor está nesse exemplar que agora se espalha pelas livrarias. O lançamento é nessa quinta, 14, no b_arco. Nos vemos lá.
Bienal
Estarei na Bienal nos dias 16 e 22. Aquilo é gigante e só mesmo combinando horário e local para nos encontrarmos. Quem sabe não coincide com o dia que você reservou pra ir?
Dia 16, sábado, às 19h30 mediarei uma conversa entre os amigos Indigo e Santiago Nazarian no Salão de Idéias da Volkswagen.
Dia 22, sexta-feira, das 15h às 16h estarei bem comportada numa mesa autografando o Sociedade da Caveira de Cristal no stand da Scipione. Topo um café depois.
Veja toda a programação do stand da Ática/Scipione aqui.
Escrito por Andréa del Fuego às 10:22 AM
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Na segunda-feira treino o jogo com meus dados, desenho seis em todas as faces. Em qualquer mesa faço doze, inclusive de mão fechada. Tenho até sábado pra garantir minha vez, você dá quanto? Aos domingos eu giro o peão e ganho a passagem de volta.

Escrito por Andréa del Fuego às 12:52 PM
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coisas
Hoje, sexta-feira, tem bate-papo com a escritora peruana Teresa Ruiz Rosas com participação de Paloma Vidal e mediação de Maria Alzira Brum Lemos, daqui a pouco na Casa das Rosas, dentro da programação da Flap. Depois acontece os lançamentos: 'Livro Universal' de Héctor Hernández Montecinos pela editora Demônio Negro, 'Rasgada' de Ana Rüsche e Antologia Trilíngüe do Coletivo Vacamarela. Mais, aqui.
Sábado, dia 09, tem Desconcertos com a querida Cristiane Lisbôa, também na Casa das Rosas, às 17h, estarei lá. Depois, às 18h, corro para o b_arco, prestigiar os amigos no segundo volume de Vocabulário, veja mais aqui.

Domingo, 10, estarei no programa Entrelinhas falando sobre o misterioso escritor B. Traven. Neste domingo às 21:30 e reapresentação na terça às 20h30. Essa edição também exibirá: "mestre do romance histórico, o escritor português Miguel Sousa Tavares explica a gênese de seu novo romance: 'Rio das Flores'. E no mês em que se comemora o dia dos pais, o Entrelinhas mostra como os filhos de escritores lidam com essa relação ao mesmo tempo familiar e literária."
Escrito por Andréa del Fuego às 05:12 PM
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disciplina

Escrito por Andréa del Fuego às 12:45 PM
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Analise onde ia com aquilo. Ainda estaríamos esperando o elevador, achando que o corredor fosse um lar, o tapete felpudo e um quadro ocre na parede. Amigo, o caminho é menor, nossa vida está chegando na metade, eu emporcalhei uma meia sua que ficou comigo, está lasseada e minha canela é fina. Sem roupa a carne é barata, mas amacia com tabefe. Se o paladar ainda é kosher, já aviso, senti dores no abate.

Escrito por Andréa del Fuego às 01:35 AM
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FLAP! 2.0 08
A Flap vem com tudo. São mais de 20 autores latinos (Chile, Peru, Guatemala, México, Equador, Cuba e Argentina) participando dessa edição chamada ZONA FRANCA - Viva la Conexión!
Os debates se espalharão pela cidade: Pinheiros, Paulista, USP, Itaquera, Campo Limpo, Lapa, PUC, Centro, Pacaembu, Capão Redondo e Santo Amaro. Será do dia 1 a 8 de agosto, programação completa, aqui.
Nesse sábado, 2, lerei na companhia de Alan Mills (Guatemala), Lorena Saucedo (poeta – México), Benjamín Morales (poeta – México) e Diana de Hollanda (poeta – Brasil). Às 20h, no B_arco - Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 422 - Pinheiros.
Os debates poderão ser acompanhados ao vivo, por exemplo, na janela abaixo:
Webcam chat at Ustream
Viva la Conexión!
Escrito por Andréa del Fuego às 05:11 PM
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Entrelinhas
Gravei mais uma colaboração para o programa Entrelinhas, na TV Cultura. É uma honra feliz estar com eles. Falei sobre o misterioso B. Traven, editado pela Conrad. Dessa vez levei a câmera no bolso.
A emissora lembra escola municipal, como a que estudei.

Homens trabalhando, homens esperando.

Oficina de cenários.

Entrando na redação.

São vários programas no mesmo salão.

O Entrelinhas: Simone, Priscila e Letícia despachando.

O quadro com a programação.

Quem e quando.

Uma entrevista sobre a mesa.

Priscila Castro, Thatiane de Almeida e Felipe Tateyama.

Letícia Costa.

Gravamos nessa escada.

Depois a voz-off em estúdio.

A razão do programa.

... Faltou a Paula Montoro, moça que me dirigiu nessa colaboração. Risonha e rigorosa, com ela você até decora frases. Não tenho imagens da Paula, porque no começo fiquei tímida com a câmera. Mas na próxima...
Escrito por Andréa del Fuego às 01:07 PM
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Mercearia São Pedro e Dulcinéia Catadora
Lembram disso?

Joca Reiners Terron organizou e publicou por sua extinta Ciência do Acidente, em 2004, a Fábulas da Mercearia, uma Antologia Bêbada. Foi uma alegria, um livro de contos de alguns dos escritores que freqüentam o bar Mercearia São Pedro. São eles: André Sant'Anna, Antonio Prata, Bruno Zeni, Chico Marttoso, Clarah Averbuck, Indigo, Ivana Arruda Leite, Joca Reiners Terron, José Alberto Bombig, Marcelino Freire, Mário Bortolotto, Matthew Shirts, Nelson de Oliveira, Reinaldo Moraes, Ronaldo Bressane, Xico Sá e eu.
A primeira edição está esgotada e virá agora dividida em fascículos pela editora Dulcinéia Catadora.
A segunda edição da antologia virá assim: será uma semana literária na oficina da Mercearia São Pedro (o sobrado ao lado) com o lançamento da Antologia Bêbada em três fascículos de papelão. Cada exemplar feito de maneira artesanal e na hora, feito os pastéis que Marquinhos oferece.
Do dia 29 de julho a 2 de agosto, terça a sábado, a paritr das 15h00.
 Mercearia São Pedro Rua Rodésia, 34 Vila Madalena (11) 3815-7200
Escrito por Andréa del Fuego às 11:17 AM
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