Nego Fogo e Respiração do Labirinto
Conhece a Dulcinéia Catadora? Lançarei nessa quinta-feira, dia 5, no bar Mercearia São Pedro, o livro de contos Nego Fogo. São alguns contos do livro Nego Tudo, também artesanal, que lancei em 2005. Como esse livro está esgotado, parte dele se transformou em Nego Fogo. Eu sei que isso não te convenceu a ir dia 5 na Mercearia tomar pinga comigo, vou te convencer agora: nesse mesmo dia, hora e mesa, a Dulcinéia lançará o livro Respiração do Labirinto do poeta mexicano Mario Papasquiaro, traduzido pela Beatriz Bajo. Papasquiaro? Poeta mexicano que foi o melhor amigo de Roberto Bolaño, o poeta que inspirou o personagem Ulises Lima de Os Detetives Selvagens. Sabe o que é isso? Tem mais, cada livro da Dulcinéia Catadora custa seis pilas, sobra o da cachaça.

Sobre a Dulcinéia Catadora Veja aqui o catálogo dos autores já cartonados.
Sobre Papasquiaro 
Mario Santiago Papasquiaro (1953 - 1998) junto com o amigo Roberto Bolaño e outros escritores, fundaram o Movimento Infrarrealista. O manifesto do movimento pode ser lido aqui. Para quem devorou Os Detetives Selvagens, será um presente a poesia de Papasquiaro. Nunca li nada dele, mal posso esperar pelo dia 5.
Na opinião de Bolaño: "Ulises Limaiera mi amigo Mario Santiago Papasquiaro (...) fue mi mejor amigo, mi mejor amigo de lejos (...) un ser extrañísimo, un lector empedernido con cosas tan extrañas como meterse a la ducha y salir leyendo. Siempre veía mis libros mojados y no sabia que había ocurrido ¿Será que México es tan grande que puede llover en ciertas partes? Me pregunté hasta que lo sorprendí leyendo en la ducha (...) Mario era un personaje fantástico, no tenia alguna disciplina. El era un poeta poeta, un ser fantástico, muy valioso".
Sobre a Mercearia Pastéis sequinhos, cerveja, Chicabom, pinga e agora com mais dois banheiros, isso é importante.
Sobre Nego Fogo Alguns contos do esgotado Nego Tudo, como esse:
Pra você que amou, amou até o fim; não essa coisa que se esquece com outro, falo de amor pra foder tudo, veneno em óleo fervente. Pra você que tem quelóides de fogo, marca sagrada e estúpida. Pra você que amou assim, eu continuo sem piedade nos rins. Filtro um terço do rio, o resto tomba pelo meio das costas, cai na bacia, represo. Vou pra casa do caralho, onde o pau sou eu, alargando a carótida com lança de bronze. Bronzeada. Na beira. No fim.
Sobre o lançamento Na quinta-feira, dia 5 de março, nos vemos na Mercearia São Pedro Rua Rodésia, 34, Vila Madalena A partir das 20h30, vamos? Pinga, pastel e papelão?
Escrito por Andréa del Fuego às 02:12 PM
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Sou o diário de um príncipe afeminado. Trancado num quarto, se um soberano me descobre, o príncipe perde a sucessão e não subirá ao trono. Engano do príncipe é achar que preciso de um curioso pra escapar da gaveta, cuja chave dorme no travesseiro. Nunca durmo, não me deito e apago. Passo por debaixo da porta, caso um ouvido especule se há segredo tão secreto quanto este, eu, mantido no escuro pra não perturbar outro sigilo: fui escrito pelo filho e já lido pelo pai.

foto: Gregory Teillet (miniconto do livro Engano seu)
Escrito por Andréa del Fuego às 04:43 PM
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corrente
Ana Peluso e Sabina Anzuategui me botaram na corrente. É assim: pegue qualquer livro de sua estante, sem pensar muito. Abra na página 161, corra até a quinta frase e a transcreva no blog. Gosto dessa brincadeira, tinha mania de folhear uma revista pensando que de cinco em cinco páginas o que surgisse seria uma resposta ao meu destino, cartomancia de obsessivos. Então vejamos a frase: "Até as bonecas, cujas cabecinhas se voltam para todos os lados como as asas de um moinho, estavam tão sobressaltadas, na expectativa das coisas extraordinárias que iriam suceder, que até se esqueciam de dar o último retoque nos seus cachos." Essa é a quinta linha da página 161 do livro Antologia da Literatura Mundial - Lendas, Fábulas e Apólogos, volume IV, editora Logos. O trecho faz parte do conto O Natal dos Brinquedos do autor Charles Lemonnier. Não tem data, mas pela edição deve ser da década de 40 ou 50. Para continuar o elo convido os queridos Daniela Vaz, Gigi Trujillo, Mônica de Oliveira, Raimundo Neto e Crib Tanaka. Nomes clicados, eis a rede.
Escrito por Andréa del Fuego às 05:02 PM
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rifando Calcinha
A Sabina Anzuategui tem um dos blogs literários mais interessantes que já li. Ela divide a massa com a qual fabrica seus textos, discute a própria criação e a inspiração, um primor. Ela é autora do ótimo Calcinha no varal, para saber mais sobre o livro, leia aqui o que Contardo Calligaris escreveu sobre ele. A capa só podia ser da Mariana Newlands: 
Esse livro pode ser seu. Já ganhou uma rifa? Vai ser agora. Vou rifar um exemplar de Calcinha no varal. Você só precisa escolher um nome da cartela, cada um poderá concorrer com um único nome, há 25 disponíveis. Refotografarei a cartela no processo revelando os nomes ainda "vagos". Quando a cartela estiver preenchida, abrirei a rifa. O ganhador receberá em casa um exemplar de Calcinha no varal autografado pela Sabina Anzuategui. Se pá também vou escolher um nominho... Escolha um nome: (atualização: cartela cheia) 
Escrito por Andréa del Fuego às 11:24 AM
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