Andréa del Fuego


tome um Nabokov


Evandro Teixeira

"Pode parecer que eu não sei como começar. É um espetáculo divertido o do velho que se locomove pesadamente, a balançar a papada, numa brava corrida atrás do último ônibus, ao qual acaba alcançando mas que tem medo de pegar em movimento e assim, com um sorriso encabulado, deixa-se ficar para trás, ainda correndo. Será que me falta coragem de dar o salto? O ônibus, o possante montibus de minha história, ronca, adquire velocidade e acabará desaparecendo irrevogavelmente ao dobrar da esquina. A imagem é um tanto desajeitada. Ainda estou correndo."

Assim começa 'Desespero', romance de Vladimir Nabokov.

Escrito por Andréa del Fuego às 09:04 PM
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concurso de microcontos no Twitter

Você está no Twitter? Sabe o que significa aquilo? Estou lá sem saber e começou a ficar divertido. O Twitter é uma mistura de scrap do Orkut, torpedo via celular e blog. Você tem um limite de caracteres por post e pode publicar via celular, assim como receber as mensagens das pessoas que você adiciona em sua lista. Como ficar admirando um aquário, passa um, passa outro e sua vida continua a mesma.

Mas o Moreno e o Sebo do Bac não dormem no barulho e criaram um concurso de micronarrativas no Twitter, aproveitando justamente o limite da própria ferramenta. Você tem 140 caracteres para criar uma narrativa. Pode enviar do ônibus, da missa, de casa, do trabalho, onde estiver.

O regulamento completo você encontra no blog do concurso, aqui.

Os jurados: Francisco Madureira, gerente do UOL Tecnologia; Tiago Doria, jornalista do IG; Haroldo Ceravolo, editor do UOL; Ana Rüsche, Rosana Hermann e eu.

Os prêmios:

Primeiro lugar:
- Livro "Dona Estultícia", de Gabriela Kimura
- Livro "Mamãe Não Voltou do Supermercado", de Mario Bortolotto
- Livro "A Mulher e o Cavalo e Outros Contos", de Adrienne Myrtes
- Livro "Brother Cactus", Contistas da Roosevelt

Segundo lugar:
- Livro "Invenção de Orfeu", de Jorge de Lima
- Livro "Poemas Dramáticos, Poemas Ingleses, Poemas Franceses, Poemas Traduzidos", de Fernando Pessoa

Terceiro lugar:
- Livro "Zona Branca", de Ademir Assunção

Veja os textos concorrentes na página do concurso, aqui.

Escrito por Andréa del Fuego às 10:33 AM
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extra!

A querida amiga Indigo é finalista do Jabuti 2008 com o incrível A Maldição da Moleira. Tenho certeza que vamos ver o bichinho no jardim da casa dela. Demais, nega!

Na lista dos finalistas, divididos em diversas categorias, tem Chacal, Cíntia Moscovich, Chico Mattoso, Lívia Garcia-Roza, Beatriz Bracher, Cristovão Tezza. Sem contar o Rubem Fonseca, Manoel de Barros, Moacyr Scliar, Ignácio de Loyola Brandão. Mesa farta!

Escrito por Andréa del Fuego às 06:14 PM
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a noiva satyriana


Robert Doisneau


Os Satyros vestiu o palco de noiva, isso não é metáfora. A companhia está em cartaz com Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues. Se você já conhece o grupo e o autor, já pode imaginar o que acontece no palco, uma montagem insana e lírica, com insights que só eles são capazes. Projeção de imagens, cirurgiões açougueiros, velhos sonhos, grinaldas de uma defunta. Vá hoje mesmo.

Serviço
Vestido de Noiva (80min, 14 anos) - Drama.
grupo: Os Satyros - texto: Nelson Rodrigues - direção: Rodolfo Garcia Vázquez - elenco: Cléo de Paris, Ivam Cabral, Alberto Guzik, Silvanah Santos, Phedra D. Córdoba, Brígida Menegatti, Thiago Guastelli, Paulo Ribeiro, João Baldasserine, Chico Ribas, Masuque Oliveira, Fernanda Mandagará, Selma Trajano, Maíra de Grande, Fabio Pena e Helena Ignez (atriz convidada).

Centro Cultural São Paulo, Rua Vergueiro, 1000 - Sala Jardel Filho
Quarta a sábado, às 21h; domingos, às 20h - até 07 de setembro - R$ 15,00

Escrito por Andréa del Fuego às 10:29 AM
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Quase caio



Opa, mais um livrinho! Quase caio é um juvenil de crônicas que faz parte da coleção Crônicas & Blogs publicada pela editora Escala Educacional. As ilustrações são de Fernando de Almeida. O livro é uma coletânea de textos que publiquei nesse e num antigo blog. Como são crônicas do meu cotidiano, esse é praticamente um livro autobiográfico. Ainda estão na coleção a Ivana Arruda Leite, Indigo e Nelson de Oliveira.

Segue uma crônica:

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Rato

Agora essa. Apareceu um rato em casa, atrás do fogão. André saiu atrás, o rato se enfiou na sala e sumiu. Rato é corda de navio pestilento, Idade Média, algo que me espia sem que eu veja. Corri comprar produtos de limpeza profunda, limpar minha alma da peste negra, ver se a assepsia expulsaria o roedor.



Depois do jantar, enfiei minha cara na fruteira e eis que a pêra nos revela: a polpa roída por dentinhos, ele comeu nossa fruta. André acha que não é um rato, mas uma rata grávida procurando alimento, tentando fazer ninho, mas onde? Atrás do meu fogão? O fogão não é dela e esse ninho é meu, ela vai ter que entender isso.

Visto que ela sobe na mesa, entra em fruteira e rói, botei as frutas na geladeira, o resto inviolável dentro de potes. No dia seguinte a vingança, a madame não achou comida e jogou meus cadernos de receita pelo chão da cozinha.

Na lavanderia, onde boto panos de prato na programação oito, molho e água quente, ouço um farfalhar, mas não a vejo. A rata está num buraco debaixo da porta, como ela passa por ali só um cristão explica. André, que não é cristão, acha que há uma galeria e que a rata tem amigos. É possível que tenha havido um arranjo pelo quarteirão, uma pizzaria foi dedetizada e eles encontraram refúgio em nossa casa, estão sozinhos e precisam de um abrigo, André defendeu.




Tenho fé e pânico, acho que pode ser uma desgraça e se eu sobreviver a isso, serei mais gorda e sábia. A rata pode entrar de madrugada em meu quarto, procurando alguma pipoca do filme anterior. Instalar-se atrás da privada quando eu estiver indefesa. Observar que livro escolho na estante enquanto ela espera a digestão das pêras ao lado de um almanaque. Soltar o gancho do telefone, teclar números e falar com os parentes numa pizzaria do Bexiga. Querer fama e deixar a marca das patas na manteiga enquanto passo café no fogão.

Bom dia, como mato ratos?



A senhora pode levar esse tapetinho com cola, o cheiro atrai, ele pisa e fica colado, morre aí mesmo. Temos esse pó, ele come e vai ficando seco até virar uva-passa, bom que não deixa sujeira. A ratoeira acabou, uma padaria levou o meu estoque.

Outra opção, pensei, era deixar a casa para a rata e ir morar com minha mãe. Não tenho problemas com baratas, nunca matei uma. Claro que as afasto para que as visitas me imaginem sã, mas pisco para elas, admiro seres arcaicos. Lagartixas não me aborrecem tampouco, parecem de borracha com tinta preta na barriga que é o bolo estomacal com pernilongo, mosca, borrachudo e barata. Agora, outro mamífero comendo minha pêra, não trabalho.




Escrito por Andréa del Fuego às 11:42 AM
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"As gaivotas de 1933 estão todas mortas, naturalmente." - Vladimir Nabokov



André Kertész

Escrito por Andréa del Fuego às 12:29 PM
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Bienal gostosinha

Nessa sexta-feira, 22 de agosto, autografarei o Sociedade da Caveira de Cristal na casa da Scipione, nos aconchegaremos das 15h às 16h. O stand da Ática/Scipione fica bem na entrada, se estiver por lá, não tem como nos perder.

Na fitinha um resumo da conversa que aconteceu no primeiro lançamento do livro, na Livraria da Vila.

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Até já.

Escrito por Andréa del Fuego às 04:46 PM
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Bienal tensa

Rapaz, no último sábado tive uma reveladora experiência como mediadora. O bate-papo com Santiago Nazarian e Indigo durou menos de trinta minutos. Assim que cheguei me dei conta de que a conversa não seria no Salão de Idéias, mas num espaço infantil da Fundação Volkswagen. Com a mudança, estávamos fora do lugar divulgado aqui no blog e nos blogs dos autores, fui calculando a condução da conversa caso as crianças comparecessem. Estava ali a convite de Claudio Daniel, poeta que eu respeito, e tentaria o melhor por ele.

Dito e feito: às 19h30 o espaço estava repleto de meninas e meninos atentos. Indigo tem um público adolescente, faria elo com as crianças, mas Santiago é dono de literatura adulta e não estava preparado para o público-mirim. Ele disse aos pequenos sobre o personagem que se matava de várias formas e revelou outro que teria sido abusado pela professora. Resumindo, a organização me pediu que terminasse a conversa.

Como mediadora fiquei no fogo cruzado entre organizadores, autores e crianças. Não fiz as perguntas que faria aos autores, na hora adaptei questões simples com distribuição de brindes. Depois dessa mesa posso mediar o que você quiser.

Apóio iniciativas literárias, os encontros e principalmente a formação de leitores. Conte comigo. O que houve ali foi desinformação (muita gente perdeu o papo porque não nos encontrou) e angústia, menos das crianças. No final, uma senhora da platéia estava puta com os autores enquanto um menino de uns cinco anos veio me dizer:

"Queria saber em qual livro dele tem mais aventura."

As crianças, embora não entendam muito do que foi dito, sabiam que eram palavras proibidas por adultos e por isso fascinantes.

Um outro dado se soma ao sábado, a Bienal faz todo autor perceber seu papel na cadeia literária, ele é um fornecedor de matéria-prima, moela pra fazer salsicha, insumo pra Perdigão. A Bienal é um encontro importante de negócios, dos mais importantes para a fila andar entre livros e suas conexões. O autor é que fica pequeno, do tamanho da falange de um dedinho de criança. Minha mãe diz que só fica pequeno quem nunca foi grande, então vamos ao trabalho que eu tô com pressa. É por isso que escrever não tem nada a ver com publicar, nem com ser amado, lido, pago, elevado, aceito e saciado.

E a programação na Fundação Volkswagem com apóio da Casa das Rosas continua:

Dia 19 – TERÇA-FEIRA
19h30 Entrevista com os poetas Paulo Ferraz e Marcelo Montenegro
Apresentadora: Greta Benitez

Dia 20 – QUARTA-FEIRA
19h30 Entrevista e recital com os poetas Andrea Catropa e Rafael Daúde
Apresentador: Donny Correia.

Dia 21 – QUINTA-FEIRA
19h30 - Entrevista e recital com as poetas Tatiana Fraga e Greta Benitez
Apresentador: Frederico Barbosa.

Dia 22 –SEXTA-FEIRA
19h30 - Entrevista e recital com o prosador Claudinei Vieira e o poeta Rui Mascarenhas
Apresentador: Claudio Daniel.

Dia 23 – SÁBADO
19h30 Entrevista e recital com os poetas Ana Rüsche e Allan Mills
Apresentadora: Tatiana Fraga.

Escrito por Andréa del Fuego às 11:06 AM
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Faz tempo que não vou ao teatro.



Dizem que o teatro começou celebrando a natureza. Originário da Ásia, o culto agrário teria chegado à Grécia e lá se associado à colheita de uvas e às estações do ano. A principal solenidade teria sido a caça, um animal selvagem era sacrificado e a carne servida em banquete. Dança e música vieram na guarnição, a montagem já continha os germes da representação e linha dramática.

De lá pra cá, raramente nos reunimos em torno de uma celebração assim, tirando natal e reveillon que podem ser dramáticos do pernil estraçalhado ao tio carente.

A celebração está praticamente confinada numa televisão, o eletrodoméstico no altar da sala traz a maior parte da produção dramatúrgica em forma de novelas, seriados e filmes. Através de um autor, um diretor, atores e equipe, ritualizamos traições, despedidas, a morte e as travessias.

Longe da zona rural, não mais celebramos os ciclos da natureza e rogamos à ela fertilidade. Na cidade busco abstração da porta de casa pra dentro. Como resmungou Nelson Rodrigues, "a televisão fechou a janela". Não fechou só pela comodidade, televisão é o ritual portátil que eu levo no bolso.

Acontece que aplaudir o espetáculo é uma lavoura arcaica, na platéia recordarmos remota época em que o homem rodava e o céu chovia. Não precisa evocar fenômenos nem durar seis horas, ou pode sim, vai quem quer para o teatro que está precisando. Aquela encenação naquele dia, naquela hora, nunca mais se repetirá. Não tem rewind. Mas tem forword, é só voltar lá.

Retorne e me chame.

Escrito por Andréa del Fuego às 11:49 AM
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Laboratório de Leitura

Esse é o programa Laboratório de Leitura. Participei de uma das edições que também exibiu parte de uma entrevista com Cristino Wapixana, escritor e compositor, falando sobre literatura indígena.


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Conheça aqui o Laboratório de Leitura.

Escrito por Andréa del Fuego às 02:08 PM
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Racif, mar que arrebenta
Marcelino Freire escreveu um livro de amor, aquele amor que arrebenta. O seu melhor está nesse exemplar que agora se espalha pelas livrarias. O lançamento é nessa quinta, 14, no b_arco. Nos vemos lá.


Bienal

Estarei na Bienal nos dias 16 e 22. Aquilo é gigante e só mesmo combinando horário e local para nos encontrarmos. Quem sabe não coincide com o dia que você reservou pra ir?

Dia 16, sábado, às 19h30 mediarei uma conversa entre os amigos Indigo e Santiago Nazarian no Salão de Idéias da Volkswagen.

Dia 22, sexta-feira, das 15h às 16h estarei bem comportada numa mesa autografando o Sociedade da Caveira de Cristal no stand da Scipione. Topo um café depois.

Veja toda a programação do stand da Ática/Scipione aqui.

Escrito por Andréa del Fuego às 10:22 AM
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Na segunda-feira treino o jogo com meus dados, desenho seis em todas as faces. Em qualquer mesa faço doze, inclusive de mão fechada. Tenho até sábado pra garantir minha vez, você dá quanto? Aos domingos eu giro o peão e ganho a passagem de volta.




Escrito por Andréa del Fuego às 12:52 PM
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coisas

Hoje, sexta-feira, tem bate-papo com a escritora peruana Teresa Ruiz Rosas com participação de Paloma Vidal e mediação de Maria Alzira Brum Lemos, daqui a pouco na Casa das Rosas, dentro da programação da Flap. Depois acontece os lançamentos: 'Livro Universal' de Héctor Hernández Montecinos pela editora Demônio Negro, 'Rasgada' de Ana Rüsche e Antologia Trilíngüe do Coletivo Vacamarela. Mais, aqui.

Sábado, dia 09, tem Desconcertos com a querida Cristiane Lisbôa, também na Casa das Rosas, às 17h, estarei lá. Depois, às 18h, corro para o b_arco, prestigiar os amigos no segundo volume de Vocabulário, veja mais aqui.





Domingo, 10, estarei no programa Entrelinhas falando sobre o misterioso escritor B. Traven. Neste domingo às 21:30 e reapresentação na terça às 20h30. Essa edição também exibirá: "mestre do romance histórico, o escritor português Miguel Sousa Tavares explica a gênese de seu novo romance: 'Rio das Flores'. E no mês em que se comemora o dia dos pais, o Entrelinhas mostra como os filhos de escritores lidam com essa relação ao mesmo tempo familiar e literária."

Escrito por Andréa del Fuego às 05:12 PM
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disciplina


Mixwit



Escrito por Andréa del Fuego às 12:45 PM
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Analise onde ia com aquilo. Ainda estaríamos esperando o elevador, achando que o corredor fosse um lar, o tapete felpudo e um quadro ocre na parede. Amigo, o caminho é menor, nossa vida está chegando na metade, eu emporcalhei uma meia sua que ficou comigo, está lasseada e minha canela é fina. Sem roupa a carne é barata, mas amacia com tabefe. Se o paladar ainda é kosher, já aviso, senti dores no abate.




Escrito por Andréa del Fuego às 01:35 AM
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Nego tudo





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