Andréa del Fuego


A casa dos Pacheco - capítulo vinte e um

A criança se erguia devagar, um ortomolecular receitaria ômega-três ao garoto. Pachequinho tinha pavor de água, não pularia de um píer, nem que fosse de volta ao útero de Antônia.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 10:40 AM
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A casa dos Pacheco - capítulo vinte

Tio Vicente ficou dez dias, a babá foi dispensada, o moleque já era crescido. Numa quarta-feira, o tio levou sobrinho e vizinhos ao parque que só abria aos finais de semana. A decepção durou pouco, sem grades que os impedissem, os meninos se aproximaram, um funcionário fazia a manutenção. Os cavalos tinham a saúde descascada, a patota cavalgou o carrocel inerte.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 02:23 PM
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A casa dos Pacheco - capítulo dezenove

O ambiente familiar virou um bolo que o casal fatiava e não comia, os pedaços pela casa. O clima melhorou com o borrifo de uma visita. Um tio de Antônia, irmão da atriz, telefonou avisando que estava na estação, que fossem apanhá-lo. Tio Vicente era conhecido, foi o pediatra que exterminou a cólica dos lactentes numa época em que o leite materno vinha coalhado, todos o queriam por perto.


Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 03:28 PM
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A casa dos Pacheco - capítulo dezoito

Alcides conseguiu ser bancário e aumentou o viço, mas estava irritado, o patrão da esposa era elogiado até em jornais. Alcides ameaçou Antônia, dizendo que se ela não largasse o trabalho pra cuidar do filho, ele fugiria com a babá. Ia ser bilheteiro debaixo de lona porque fiador de palhaço ele já era.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 04:20 PM
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A casa dos Pacheco - capítulo dezessete

O filho veio, contrataram uma mocinha pra cuidar do pequeno. Antônia não sentia falta do moleque no escritório, Alcides pegou gosto em dar troco, estava namorando a carreira de bancário. O filho foi se criando com a babá acostumada aos filhotes do circo onde dormia.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 12:12 PM
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A casa dos Pacheco - capítulo dezesseis

Alcides, depois de busca e espera, conseguiu uma vaga no centro da cidade. Ficaria na bilheteria de um cinema, mais como vigilante da cabine do que alguém habilidoso em contar cédulas.


Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 10:09 AM
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A casa dos Pacheco - capítulo quinze

A vizinhança dizia que Antônia chegava do trabalho com feições cínicas, a cintura estava mais fina, o escritório era em lugar ermo, que Alcides era manso, a casa precisava de filhos pra não desgovernar, a chuva ia estiar, Alcides quem cuidava da louça e que o detergente estava o olho da cara.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 11:56 AM
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A casa dos Pacheco - capítulo catorze

Antônia procurou emprego e achou vaga como secretária de um contador. Férias e benefícios assegurados, sem contar o ar novo e o trânsito de pessoas diferentes.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 01:20 PM
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A casa dos Pacheco - capítulo treze

Assinaram os papéis no cartório assim que a casa ficou pronta. Depois do civil, esbodegaram os convidados num bolo de abacaxi e sanduíches de pepino. O padre da cidade caiu numa virose, faleceu de camisola e a cerimônia religiosa teve que ser adiada. Alcides e Antônia não faziam questão dos cumprimentos em porta de igreja, mas por pressão de Veridiana, receberam no lar a benção de um presbítero.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 12:56 PM
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intervalo II (livro do Nelson de Oliveira e uma conversa com Marcelino Freire)

Vamos direto ao ponto. O ganhador do último lançamento de Nelson de Oliveira é o Parreira. Parabéns, Parreira! Você receberá e casa o livro autografado pelo Nelson de Oliveira, mande-me seu endereço para delfuego@uol.com.br. Obrigada a todos pela participação carinhosa, farei mais sorteios.

...

E aproveito o intervalo para fazer um convite. O poeta Claudio Daniel e eu estamos fazendo a curadoria do Ciclo Letras na Sobrado. A Livraria Sobrado, uma das mais aconchegantes de São Paulo, abre as portas para a literatura contemporânea recebendo o premiado Marcelino Freire, um dos escritores mais expressivos da atualidade, ele que está prestes a lançar seu próximo livro: 'Rasif, mar que arrebenta'.

Claudio e eu vamos conversar com Marcelino dia 6 de maio, às 19h30, na Livraria Sobrado: Av. Moema, 493, Moema - 5052-3540. Apareça, além do mais fará frio e o chocolate quente de lá é servido com uma pasta da cacau na borda da xícara. Seremos todos felizes, como diz o amigo Marcelino. No próximo intervalo, mais informações e sorteios.

Escrito por Andréa del Fuego às 12:45 PM
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intervalo

Para agradecer a tua presença nesse cômodo, darei-te um presentinho. Vou sortear um 'A oficina do escritor: sobre ler, escrever e publicar' de Nelson de Oliveira. O autor, que dispensa apresentações, autografará o exemplar do ganhador. Para participar, é só deixar seu nome nos comentários. Trata-se de um livro obrigatório para quem gosta de ler, escrever e pretende publicar.

Trechos:

"Então você imprime várias cópias dessa primeira obra e as envia às principais editoras do país. Durante duas semanas, confiante, você espera. Em breve um telefonema entusiasmado, de alguém assombrado com o seu talento, com a sua pujança criativa, dará continuidade à sua carreira literária recém-iniciada. Os meses passam e nada acontece."

"Desconfie dos livros de sua predileção, desconfie mais ainda dos autores de sua predileção. Livros e autores, ame-os intensamente, sim, mas jamais se entregue à idolatria cega, pois os escritores talentosos são mestres na arte da sedução."

"O campo literário, da mesma maneira que qualquer outro campo do conhecimento, é sempre o lugar de lutas mais ou menos desiguais, entre agentes desigualmente aparelhados para o combate: novatos versus veteranos, novatos fidalgos versus novatos plebeus, críticos versus escritores, críticos fidalgos versus críticos plebeus, grandes editoras versus pequenas editoras, grandes editoras fidalgas versus grandes editoras plebéias..."

Temo o esvaziamento das oficinas literárias, pois tudo está dito por Nelson nesse volume.

E então? Deixe seu nome e email, sortearei no dia 21. Em breve, mais sorteios.

Escrito por Andréa del Fuego às 11:06 AM
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A casa dos Pacheco - capítulo doze

O primeiro beijo do casal foi num feriado ao meio-dia. Debaixo de todos os olhares, os dois se propuseram um acerto, um cuidaria do outro sem encheção de saco e conversa mole. O entusiasmo de Alcides era pela mudança de casa, teria enfim a própria. O amor de Antônia era pela perspectiva de filhos gordos e estridentes.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 01:22 PM
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A casa dos Pacheco - capítulo onze

O pai de Antônia vivia de pensão em pensão, fazendo biscate em cidades pequenas. Tinha mais duas filhas, cada uma nascida em um município distinto, elas não se sabiam. Há rumores de que ele teria tido um caso com mãe de Alcides, a falecida, e uma suspeita: seriam irmãos Alcides e Antônia? Hipótese refutada pela conduta moral da morta e no mais, estavam todos em casa. Como um narrador faz o que bem entende, afirmo, por pouco eles são primos. O pai de Antônia não dava alegrias presenciais, sua presença se encaixava num telefonema natalino.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 10:58 AM
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A casa dos Pacheco - capítulo dez

Já a mãe de Antônia era separada e atriz. Desde cedo a menina quis ser a mãe e não a filha. A atriz se apresentava todos os dias em um café, de onde trazia pulgas e a grana das cebolas.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 02:49 PM
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A casa dos Pacheco - capítulo nove

Batata, Veridiana trocou rapidinho o quarto de Alcides pelo do viúvo. O pai achou conveniente outra mulher cuidando da casa e do ritmo, Alcides passou de sobrinho a enteado. O rapazote se agoniava com o cheiro antigo e fechado que Veridiana deixava escapar dos vestidos. Um mofo azedo que foi se dissipando conforme os dias, o pai tatuou no braço o nome da cunhada.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 11:40 AM
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A casa dos Pacheco - capítulo oito

A ligação parental entre os dois se deram pelos homens, o pai de Antônia era irmão do pai de Alcides. Num triste dia, a mãe de Alcides bateu as botas. A comoção não extrapolou dez dias. A irmã da finada, tia Veridiana, chegou com mala e vontade. Soube da viuvez precoce do cunhado e se candidatou à segunda esposa. Não pôde chegar a tempo do enterro porque botou à venda uma casa e terminava de aviar os papéis do negócio. Alcides teve que deixar seu quarto para tia Veridiana.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 12:05 PM
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A casa dos Pacheco - capítulo sete

Antônia tentou incluir o primo em alguma festinha fora da escola, mas ele desconversava preferindo ver o pai ler jornal e a mãe trazer à mesa uma galinha recheada. As amigas de Antônia achavam Alcides um pateta com sono, até quando ele corria pela quadra.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 12:14 PM
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A casa dos Pacheco - capítulo seis

Antônia e Alcides estudaram na mesma classe, porque além da mesma idade, vinham da mesma família, eram primos. A professora tentou separá-los, cumplicidade sangüínea não era tolerada, a direção do colégio queria fazer dos pirralhos adultos peculiares e sortidos. Nada de parentes em conluio natural.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 12:56 PM
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A casa dos Pacheco - capítulo cinco

Alcides fora de casa era valente. Obedecia a quem devia, mas pretendia pôr ordem no recreio. Dizia no pátio a quem pertencia a bola da vez e mantinha outra no sovaco, arqueando os braços, tentando o vôo.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 09:24 AM
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A casa dos Pacheco - capítulo quatro

Antônia compilava as imagens do dia, o olho fotografava e ela revelava as cenas depois, em casa e com abajur aceso. Aumentava as qualidades de um, exagerava de outro. Tudo engavetado em cômodas mentais, cada qual com uma lembrança alheia.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 11:17 AM
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A casa dos Pacheco - capítulo três

O menino Alcides foi educado para ser um bom cidadão. Tinha caspa aos doze anos, um embrião de joanete, ouvia o pai com atenção e não sabia onde ficava uma vassoura.



Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 08:53 AM
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A casa dos Pacheco - capítulo dois

Antônia foi menina quieta, fazia tudo sozinha. Limpava o quarto com flanela, tirava o pó da penteadeira mirim, passava talco na bunda dos brinquedos. Administrava o quarto melhor que a mãe. Zelosa, registrou em caderneta o nascimento das bonecas.


Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 10:06 AM
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A casa dos Pacheco - capítulo um

Antônia e Alcides se enroscaram ainda jovens. Saudáveis, rosados, tomavam leite morno à noite. Ele tirou carteira de motorista, ela botava o cotovelo pra fora da janela. O casal foi empilhando lenha, só não tinham a lareira e onde erguer a chaminé. Ambos de boa família e pouca saudade, Antônia e Alcides estavam destinados à união.


Norman Rockwell

Escrito por Andréa del Fuego às 12:32 PM
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a seguir: A casa dos Pacheco

Iniciarei mais uma mininovela, gostei do processo que é editar imagens para que a seqüência delas me dê uma história. Vou repetir o riscado, em torno de trinta capítulos, mas posso estender ou encurtar os destinos. O ilustrador-guia é famoso, você deve conhecer. É Norman Rockwell, americano, o grande nome da ilustração dos anos 30/40/50.

'A casa dos Pacheco' é uma trama de família e para a família.


Norman Rockwell

Estrelando: o filho, o neto, o pai e o avô, a granel e à escolha do freguês.

Escrito por Andréa del Fuego às 10:15 PM
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Tarantino's mind

Curta-metragem com Selton Mello e Seu Jorge sobre a obra de Quentin Tarantino. Com direção dos cariocas 300ml, da Hungry Man, e produzido pela Republika Filmes.



Escrito por Andréa del Fuego às 03:10 PM
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