Andréa del Fuego


Julio Cortázar

Sobre a diferença entre boom literário e maturidade literária, ilusões de mercado e leitura fraterna.




Sobre publicação precoce, auto-crítica e estilo.




E seu tango em Paris.



Escrito por Andréa del Fuego às 12:22 PM
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Kombi 1967

para Ivana Arruda Leite




Escrito por Andréa del Fuego às 04:56 PM
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Selva de Pedra - Janete Clair


a desconfiança



a revelação



a repercussão


Escrito por Andréa del Fuego às 10:40 AM
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Tomou seu Toddy hoje?



Escrito por Andréa del Fuego às 11:34 AM
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Em breve esse blog sairá da mamata, encontrei novas imagens sobre as quais escreverei outra série. Mas só depois da Páscoa, vou perseguir uns coelhos e já volto.

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Não posso ver fotografia de criança, principalmente quando a conheço adulta, veja os queridos Nelson de Oliveira e Tereza Yamashita:




Eles estão com blog novo, mas nele Nelson é Luiz Bras, ei-los.

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No dia 03 de maio, na Livraria da Vila Lorena, Cristiane Lisbôa lançará 'Sylvia não sabe dançar'. Já li e digo, é o seu melhor livro, trecho:

"Mid significa membro inferior direito, mais conhecido como perna direita. Quando alguém amputa um membro, seja ele qual for, precisa fazer alguma coisa, enterrá-lo preferencialmente. Existe a possibilidade de incinerar, mas os pacientes mais lúcidos exigem respeito com sua parte arrancada. Existem até caixões especiais para cada parte do corpo, podendo-se escolher entre tons de madeira, tipos e cores de tecido. Papai fez questão do bom e do melhor, mogno, com cetim roxo escuro. Nélson fez questão que Mid fosse enterrado usando sapato e meia."

O pulp fiction de costumes ganhou um belo site, veja.

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Maria Alzira Brum Lemos, escritora, tradutora e designer de eventos literários tem blog, você ainda não foi ? Michel Laub, moço fino, também veio à praça, aqui.

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E como não estarei na cidade para abraçar Marcelino Freire que faz aniversário nessa quinta-feira, deixo aqui meus votos de felicidade e uma lembrancinha.


Marcelino e sobrinhas em Parati, 1890

Escrito por Andréa del Fuego às 11:03 AM
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Enquanto o outono não vem, tome Roberto Piva:

Manifesto Utópico-Ecológico em Defesa da Poesia & do Delírio

Invocação

Ao Grande deus Dagon de olhos de fogo, ao deus da vegetação Dionisos, ao deus Puer que hipnotiza o Universo com seu ânus de diamante, ao deus Escorpião atravessando a cabeça do Anjo, ao deus Luper que desafiou as galáxias roedoras, a Baal deus da pedra negra, a Xangô deus-caralho fecundador da Tempestade.

Eu defendo o direito de todo ser Humano ao Pão & à Poesia. Estamos sendo destruídos em nosso núcleo biológico, nosso espaço vital & dos animais está reduzido a proporções ínfimas quero dizer que o torniquete da civilização está provocando dor no corpo & baba histérica o delírio foi afastado da Teoria do Conhecimento & nossas escolas estão atrasadas pelo menos cem anos em relação às últimas descobertas científicas no campo da física, biologia, astronomia, linguagem, pesquisa espacial, religião, ecologia, poesia-cósmica, etc., provocando abandono das escolas no vício de linguagem & perda de tempo em currículos de adestramento, onde nunca ninguém vai estudar Einstein, Gerard de Nerval, Nietzsche, Gilberto Freyre, J. Rostand, Fourier, W. Heinsenberg, Paul Goodman, Virgílio, Murilo Mendes, Max Born, Sousandrade, Hynek, G. Benn, Barthes, Robert Sheckley, Rimbaud, Raymond Roussel, Leopardi, Trakl, Rajneesh, Catulo, Crevel, São Francisco, Vico, Darwin, Blake, Blavatsky, Krucënych, Joyce, Reverdy, Villon, Novalis, Marinetti, Heidegger & Jacob Boehme & por essa razão a escola se coagulou em Galinheiro onde se choca a histeria, o torcicolo & repressão sexual, não existindo mais saída a não ser fechá-la & transformá-la em Cinema onde crianças & adolescentes sigam de novo as pegadas da Fantasia com muita bolinação no escuro.

Os partidos políticos brasileiros não têm nenhuma preocupação em trazer a UTOPIA para o quotidiano. Por isso em nome da saúde mental das novas gerações eu reivindico o seguinte:

1 - Transformar a Praça da Sé em horta coletiva & pública.

2 - Distribuir obras dos poetas brasileiros entre os garotos (as) da Febem, únicos capazes de transformar a violência & angústia de suas almas em música das esferas.

3 - Saunas para o povo.

4 - Construção urgente de mictórios públicos (existem pouquíssimos, o que prova que nossos políticos nunca andam a Pé ) & espelhos.

5 - Fazer da Onça (pintada, preta & suçuarana) o Totem da nacionalidade. Organizar grupos de Proteção à Onça em seu habitat natural. Devolver as onças que vivem trançadas em zoológicos às florestas. Abertura de inscrições para voluntários que queiram se comunicar telepaticamente com as onças para sabermos de suas reais dificuldades. Desta maneira as onças poderiam passar uma temporada de 2 semanas entre os homens & nesse período poderiam servir de guias & professores na orientação das crianças cegas.

6 - Criação de uma política eficiente & com grande informação ao público em relação aos Discos-Voadores. Formação de grupos de contato & troca de informação. Facilitar relações eróticas entre terrestres & tripulantes dos OVNIS.

7 - Nova orientação dos neurônios através da Gastronomia Combinada & da Respiração.

8 - Distribuição de manuais entre sexólogas (os) explicando por que o coito anal derruba o Kapital

9 - Banquetes oferecidos à população pela Federação das Indústrias.

10 - Provocar o surgimento da Bossa-Nova Metafísica & do Pornosamba. O Estado mantém as pessoas ocupadas o tempo integral para que elas NÃO pensem eroticamente, libertariamente. Novalis, o poeta do romantismo alemão que contemplou a Flor Azul, afirmou: "Quem é muito velho para delirar evite reuniões juvenis. Agora é tempo de saturnais literárias. Quanto mais variada a vida tanto melhor".

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Para mais Roberto Piva, aqui, além de correr à livraria mais próxima, evidente.

Escrito por Andréa del Fuego às 10:51 AM
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Levante-se.



Robert Doisneau

Escrito por Andréa del Fuego às 10:29 AM
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O eu é um outro
Maria Rita Kehl

A experiência do confronto com o Real pode produzir efeitos diversos. O Real é, por definição, aquilo que a linguagem exclui. O impossível de simbolizar. Para o psiquismo, há três elementos do Real que não se pode evitar: a mãe primordial, o sexo e a morte. Esta última, para nós, é sempre a morte do outro: nada podemos dizer desse encontro ao qual, quando comparecemos, já não somos. Sempre faltamos, como seres falantes, ao encontro marcado com nossa própria morte. No entanto, sua proximidade nos coloca diante dos enigmas do funcionamento do corpo; o mistério dos órgãos silenciosos, do fluxo sangüíneo, do peristaltismo, do entra-e-sai do ar nos pulmões. Podemos incluir, na série do que a linguagem exclui, o encontro com a crueldade extrema do outro, este mal radical, fragmento de gozo que também nos diz respeito embora permaneça inconcebível e, por isso mesmo – real.

Em psicanálise, chamamos trauma o efeito do Real sobre o psiquismo. Mas nem todo trauma nos condena ao silêncio. Ao contrário: ao redor do ponto negro do qual não é possível dizer nada, produzimos uma torrente de palavras. Os sobreviventes de cataclismos naturais, os egressos de campos de concentração, os que se viram diante da presença do Mal, os que enfrentaram a morte, não conseguem parar de falar nisso. Não cessam de tentar inscrever no campo simbólico os limites de sua experiência. Foram atravessados – como no sexo! – pela presença de um outro, um eu alheio ao eu, um fragmento do duplo que a palavra persegue, mas não capta jamais.

Algo da experiência mística, e da experiência poética, também se traduz assim. “Eu é um outro”, escreveu Rimbaud a seu amigo Paul Demeny: Car je est un autre. (...) Cela m´est évident: j´assiste à l´eclosion de ma pensée: je la regarde, je l´écoute: je lance um coup d´archet: la symphonie fait son remuement dans lês profondeurs, ou vient d´un bond sur la scène. O poeta denuncia a estupidez dos que acreditam no significado falso da palavra eu, e ri da crença desses esqueletos que se acreditam autores do que escrevem. Para Rimbaud, muito antes de Freud, a palavra do poeta vem deste outro que desmente a pretensão soberana do eu individual, burguês.

Mas nem sempre o encontro com o outro de fora da linguagem nos transforma em poetas. Freqüentemente, o blábláblá a que nos entregamos, e que pede desesperadamente o testemunho de alguém – seja um amigo generoso, um confessor, um psicanalista – não tem nenhuma qualidade literária.

José Maria Cançado está entre os raros abençoados que se tornam poetas em conseqüência de um trauma. Em 2004, seu coração esteve gravemente enfermo; José Maria foi salvo da morte por um coração alheio. Um outro, literalmente, veio habitar seu corpo que a partir desse momento não pode se dizer eu sem duvidar: mas eu, quem?

No transplante não dá para saber o que é carbúnculo, o que é diamante.

A poesia, a rigor, não precisa da biografia do poeta para se sustentar. Se a experiência do transplante e o longo período de UTI não tivessem acontecido, este pequeno livro seria, da mesma forma, uma refinada obra da língua e da imaginação. Mas o autor quis revelar, na nota final, o episódio que deu à luz o poeta. O que torna sua poesia ainda mais surpreendente. Às vezes, são necessários muitos anos para que uma experiência traumática se transforme em literatura. É o que escreve Jorge Semprúm no prefácio ao seu A grande viagem, explicando por quê, só 16 anos depois de ter passado por Auschwitz, foi capaz de escrever sobre o que viveu ali.

O que surpreende é que José Maria tenha começado a escrever ali mesmo, na Unidade de Terapia Intensiva do SUS, enquanto se recuperava da cirurgia e esperava que o novo habitante se adaptasse à nova casa.

Valente, na radiografia
é possível vê-lo alojado desde ontem
ocupando sua banca
como um verdureiro recém instalado
vindo de outros dias e noites
e outras festas de São João.

É provável que a pressa da poesia fosse resposta à urgência da nova tarefa. A palavra do poeta revisita os mistérios do corpo, já não mais arquivado “sob a turquês da morte” e sim ressignificado pela presença do novo passageiro. Ou será o contrário, o coração novato o próprio motoneiro a conduzir o eu-corpo através da multidão que o habita?

Nascer é lajedo
Renascer é multidão.

O transplante tornou evidente, a este poeta recém-inaugurado, aquilo que nenhum de nós, habitantes de uma sociedade individualista, deseja saber: que seu coração, metafórico ou Real, órgão do corpo ou sede literária da vida e da emoção, não lhe pertence. Que seu coração é público. Essa descoberta tem ressonâncias existenciais e políticas. Os poemas de Baião de dois abrem-se a estas duas vertentes. A primeira é a vivência íntima do transplantado, que se vê atravessado por um outro e se pergunta – qual dos dois morreu?

Conhecemos as palmas que dois corações batem
em dueto, o mesmo padrão de coração no meio

As que bate um só coração, com uma única mão
para o coração que ele ainda será do outro lado do espelho?

A outra vertente a que se abre este coração público, veterano de muitas guerras, é a da realidade cotidiana da UTI. Com seu corpo de ressuscitado, com a sensibilidade nova em folha e o coração premiado que lhe renovou a vida, Cançado abre-se para o dia-a-dia coletivo da UTI – que para as “intelligences borgnesses” a que se refere Rimbaud, poderia não passar de um longo aborrecimento – e afirma o triunfo da saúde pública contra:

a hierarquia das classes arrumadas em pilha//
esse coração, seu navegar de capitão pelicano
de quem viu seu navio ir a pique
faz desse puxado SUS da UTI
um aberto anti-salão Titanic

Sem ironia, a vida na UTI se escreve neste Ita no Norte como uma história de amor onde a doença dissolve as barreiras de classe. O enfermeiro Devanir, a auxiliar Sussuellen, a enfermeira Vicentina – que “habita desde muito uma terra completa” – fazem a ponte entre o mundo de cá e o de lá, entre o mundo de fora, dos tênis de cano alto, das unhas pintadas, das noites de sábado, e este dos quase-vivos (quase-mortos) que insistem ainda em se fazer cuidar, tratar, ajudar. No universo da UTI se fala uma outra língua: dobutamina, Swan-Ganz, descolabar – e se nomeia os frutos mal cheirosos das nossas entranhas, que o bom gosto recomenda calar.

A UTI é feito casa de Heráclito e aldeia maruim:
não se entra duas vezes no que de nós se está drenando.

O ajuste do coração novo (grau de rejeição 2B) em sua nova caixa toráxica abriu o corpo (antes fechado, como o de todos nós) do poeta ao fluxo vário da vida: tornou-se capaz de enxergar através dos uniformes brancos, dos lençóis que cobrem os doentes, e perceber o desenho singular que a vida faz em cada um. Como Rimbaud:

(...) La première étude de l´homme qui veut étre poète est as propre connaissance, entière: il cherche son ame, l´inspecte, il la tentel l´apprend. Je dis qu´il faut être voyant, se faire voyant.

E o que o poeta vê é sempre, ainda, um outro. A palavra eu já não o representa; nos versos de Cançado, a primeira pessoa já nasce plural. Eu/nós: vivo ou morto? A diferença também se dilui, no anti-salão Titanic da UTI: ali onde o homem é nada, ou próximo do nada; onde a vaidade é vã e a morte nos reduz a matéria animal:

Ao lado de algum boi morto, invisível em tais águas, mas ao lado, mas boi, mas morto descemos de bubuia.

De bubuia, os barcos precários construídos pelos povos ribeirinhos, no Brasil, descem a correnteza amarrados uns aos outros. Para agüentar melhor, com seu corpo coletivo, o tranco da vida, fúria necessária das águas.


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Mais ensaios de Maria Rita Kehl, aqui.

Escrito por Andréa del Fuego às 03:57 PM
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A terra é feita por todos, a terra está aumentando, cada corpo contribui com duas ou três pás. Depende do volume.



Brassaï

Escrito por Andréa del Fuego às 03:52 PM
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Ela cabe nessa caixinha de fósforo, deite-a de bruços e esfregue as costas com a ponta do palito, ela tem cócegas. A coluna é igual à da sardinha, sai do corpo com um garfo. Cuidado com a tampa, dois furos e ela respira, feche-a com durex. Passe a fita também pelas pernas, ela pode chutar a tampa achando que é a porta. Enfie no bolso, o furado. A caixinha vai descer, tua perna servirá de elevador, irá ao térreo sem ter posto nela as mãos. Alguém a chutará, algum rato a salvará do pisoteamento, abrigando-a no pátio interno das calçadas.



William Claxton


miniconto do livro Engano seu

Escrito por Andréa del Fuego às 08:21 AM
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A água que está no planeta é a mesma desde a sua formação. A chuva traz de volta o que se transforma em vapor para o contínuo ir e vir dos respirantes. Reserve esse ingrediente num pires. Agora some a isso que a água é volúvel às vibrações do ambiente, visto naquele experimento japonês onde isolou-se potes com água expondo-os aos sons. Sob a música clássica, a água adquiriu formas moleculares de simétrica geometria, exposta a ruídos as moléculas apresentaram formato sem equilíbrio, sem padrão e nitidez. Há quem diga que a água é capaz de armazenar dados, chame isso de memória. Reserve. Nossos corpos são feitos por laguinhos contidos entre paredes celulares.

Agora misture tudo.

A água que tomamos carrega toda a memória do planeta. Significa que bebemos o sangue de Napoleão Bonaparte, o xixi da Marguerite Duras, o suor de um mamute, a água da escovação de dentes de D. Pedro I. Tomamos a memória de todos os ciclos e gerações.

E por isso, quanto mais pura a água, mais somos hidratados e informados. O corpo é um back-up temporário de toda a trajetória humana.



John Vink

Escrito por Andréa del Fuego às 09:17 AM
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Se o metrô fosse transparente, o céu seria assim.

Escrito por Andréa del Fuego às 08:53 AM
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Essa é a escritora Sabina Anzuategui quando era bebê. Adulta, seu primeiro livro leva o título "Calcinha no varal".



Em seu blog Lima da Pérsia, que ela afirma ser o menos lido da Vila Beatriz, Sabina divide com o leitor até mesmo a revisão do livro que está escrevendo, você pode ver a engrenagem de sua criação:

"Me preocupo bastante com a sujeira gráfica. Às vezes reescrevo uma frase somente para que tenha menos palavras e a linha fique mais limpa. Tenho cortado até vírgulas. Em vários momentos decido que a frase está boa apenas por sua aparência na tela."

Corra .

Escrito por Andréa del Fuego às 03:17 PM
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