Andréa del Fuego


capítulo vinte e três

Já amei antes, tive mulheres dóceis, outras frígidas, muitas do signo de câncer. Problema é que Sofia foi um encaixe justo. Meu corpo no dela atingiu o máximo, não sobrou ar, vácuo que garante o perfume. Se o preço por tê-la conhecido é vagar, está pago.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 09:32 AM
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capítulo vinte e dois

Caso Sofia me quisesse, ela explicaria nosso rolo pra Dolores e desataria o nó. Eu acompanharia o processo sem dizer nada, fecharia a mala e Sofia daria o braço pra eu puxar. Comigo Sofia alcança o topo, um platô longe de qualquer onda que venha da Ásia. Ela não sabe nadar.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 11:54 AM
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capítulo vinte e um

Sofia se armou contra minha insistência. Uma defesa inútil, eu estava decidido a marcar sua vida. Ela não me atacaria de frente, nem pelas costas, mas pelo meio. Entre os pulmões, o timo secreta meu fracasso. O doente lúcido sabe precisar o tamanho do talho e da cicatriz, se ela vier.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 01:52 PM
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capítulo vinte

Escolhi um jeito de ser abandonado. Uma saída para um cara como eu, pacifista, porque não sabe explodir. Não ia ficar assim, Sofia agora era um pássaro em pouso por causa do ar revolto, eu. Vou caçá-la, ainda que eu saiba que sua liberdade não tem fim.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 08:36 AM
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capítulo dezenove

Quando o franzino se recolheu em um dos quartos, vi que os dois tinham nada um com outro, ele era só um amigo afrescalhado. Sofia disse pra eu ir embora, não fui. Ela me falou umas poucas, sobre ser fiel e confiável. Sofia ignorava o que pedia e me derrubou com a sentença: pra ser minha outra vez, eu não podia mais seguir seus passos, teria que continuar casado com Dolores e não respirar.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 11:32 AM
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capítulo dezoito

Detetive Soares descobriu Sofia numa cidade próxima, fui bater no endereço. Ela me recebeu e perguntou pela irmã, contei que Dolores ainda não sabia que eu a tinha encontrado. Sofia fez um jantar para três: ela, um cara franzino e eu. Engasguei com um ossinho, o rapaz bateu em minhas costas, eu cuspi no guardanapo. Sofia estava bem e melhor.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 09:19 AM
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capítulo dezessete

Minha renda vem de um galpão que alugo no porto, é o suficiente. Mas foi fácil pra Dolores aceitar que eu estava fora de casa procurando emprego, uma ocupação na vida. Problema é que ela achou mais útil que eu ficasse no sofá, olhando pra nossa vida. Não pude mais farejar Sofia, contratei detetives.




Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 09:23 AM
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capítulo dezesseis

Dois meses em busca de Sofia e nada. Dizem que pra achar alguém o melhor é não sair do lugar, passei a ficar na rua até mais tarde, enfiado num vagão até o último metrô.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 12:42 PM
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capítulo quinze

Sofia deixou recado com Dolores, ia passar um tempo fora. Dolores não sabia o destino, só disse que Sofia precisava se perder até encontrar um limite. Limite? O meu é justamente a própria, se ela desaparecer, Dolores perde um marido. Saí à procura de Sofia, em horário comercial.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 10:51 AM
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capítulo catorze

Sofia rompeu nosso caso antes que Dolores suspeitasse. Eu nunca levei o fim a sério, como? Sofia ia tomar banho em minha casa. Claro, eu morava com Dolores, sua irmã, que a recebia com toalha felpuda. Sofia pelada e eu fumando um mentolado na sala ao lado, encostado na parede do azulejo. Nunca ouvi o barulho do chuveiro, pra ser sincero, não sei o que ela fazia lá dentro.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 08:05 AM
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capítulo treze

Enquanto isso, convivo com Dolores, ela tem três filhos. Não sou o pai, quando a conheci, ela tinha dois e esperava o terceiro. Pai é quem cria na puta que o pariu. Os pequenos me seguem, eu tento convencê-los de que é pior.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 10:40 AM
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capítulo doze

Quando chegou minha vez, do nada, confessei que a queria. Sofia não deu bola. Mas em seguida, me pediu ajuda com um pássaro que o campesino mandou de presente, o agricultor pedia uma reconciliação. Sofia queria tratar o bicho, e alguém que o apanhasse se ele tentasse fugir. Não deixei escapar.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 09:33 AM
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capítulo onze

Minha preocupação foi virando pânico, Sofia catou um garoto de treze anos. O moleque mal sabia dar nó na gravatinha. Dei um alô pro mascote, falei, a moça tem dono e não é você, seu pivete, como é que fica?



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 11:45 AM
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capítulo dez

Fora o agricultor, desse eu tive pena. Viajava horas pra chegar na casa de Sofia. Ela estava naquela de controlar a origem dos alimentos, queria saber como eram criadas as aves, cujas asas ela fritava em azeite. O homem resolveu ir morar na cidade e levou os bichos com ele, Sofia cortou o fornecimento.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 11:39 AM
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capítulo nove

Com o motoqueiro a história foi outra, quase se casaram. Ela guarda uma caixa com cartas e fotografias do cara, já trocou meu nome pelo dele. O motoqueiro se meteu em briga, foi perseguido e morreu num acidente. Eu nada tenho com isso, se eu soubesse matar, já tinha acabado com Sofia.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 12:25 PM
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capítulo oito

Depois veio um poeta tripolar. Pela manhã se escondia debaixo da cama, à tarde ele corria pela rua e à noite queria voar. Sofia descobriu que a ciclotimia é monótona, deixou uma grana com o poeta e sumiu. Nessa época emprestei um casaco, ela não me devolveu.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 10:05 AM
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capítulo sete

Depois do pai e antes de mim, Sofia se entreteve. O primeiro namoro foi com um pianista. Não foi pra frente, Sofia detesta musiquinha e ele precisava de tempo pra compor umas canções. Os dedos do rapaz foram engessados, meu sogro rejeitou a união. Hoje, o pianista toca órgão em bares profundos e mora com um Orlando.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 05:26 PM
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plim-plim

Marcelino Freire convoca: de 15 a 18 de novembro, tem Balada Literária. Não é festa, não é simpósio, não é demonstração de vendas, não é palestra motivacional, é balada! Veja aqui a programação, e saiba que entre uma mesa e outra nós bebemos e oramos, senhor, dê-nos juízo! Dia 17, sábado, às 10h30, conversarei com João Anzanello Carrascoza, Carola Saavedra e o escritor e tradutor argentino Federico Lavezzo. Na Livraria da Vila, claro. Será a primeira vez que mediarei uma mesa, essa tarefa reservada aos bons cozinheiros. Sorte que eu sei fritar um ovo. O evento tem curadoria do coronel Marcelino Juvêncio Freire e da condessa Maria Alzira Brum Lemos. Vai ser legal.

Escrito por Andréa del Fuego às 09:46 AM
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capítulo seis

O pai das duas não é meu sogro, é um doador. Ele cuidou muito de Sofia, a fez tocar um instrumento, dançar e se alongar em quarto fechado. Dar-se para um homem proibido também foi ele quem ensinou.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 09:56 AM
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capítulo cinco

Depois a cunhada ficou arisca, seleciona a companhia pelo cheiro. Se for bom, talvez; aliás, nunca. Agora Sofia se defende de cada tentativa, minha e de qualquer um.




Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 11:29 AM
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capítulo quatro

Em Sofia, meu pau não tem hidrante, não apaga o fogo. Era preciso esfriar as coisas, eu já não enxergava com aquela fumaça. Sofia terminou nosso caso na quinta, Dolores me pediu um filho, na sexta. Perto da irmã, Dolores é uma caixa vazia, útil e inutilizada.




Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 09:15 AM
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capítulo três

Casei-me com Dolores pra não perder Sofia de vista. Sendo irmãs, minha tortura é estar perto e não ser perto. Cansativo o trajeto que traço pra não errar o caminho e bater na porta de Sofia, sozinho.



Viner

Escrito por Andréa del Fuego às 08:52 AM
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