Andréa del Fuego


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Daqui não saio, daqui alguém me tira.




foto: Melvin Sokolsky

Escrito por Andréa del Fuego às 02:40 PM
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Ninguém me contou, eu vi.



foto: David Hurn

Escrito por Andréa del Fuego às 06:30 PM
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Corrente Literária

A escritora Mara Liz, que também é minha amiga e cunhada, incluiu-me na corrente literária onde cada um lista cinco dos livros que mais gosta. Terminada a lista, indica-se cinco pessoas que dê continuidade à corrente. Fiquei pensando em quais autores eu indicaria: se clássicos como Machado de Assis e Stendhal; se os últimos que li como Tiago Novaes e Cecília Giannetti (imperdíveis); se os portugueses José Luís Peixoto e Adília Lopes; se os vizinhos como Rodrigo Fresán e Juan Carlos Onetti.

Até que decidi pelos livros que não li, inspirada pela matéria da Folha sobre o livro Como Falar dos Livros que Não Lemos, do psicanalista e professor de literatura Pierre Bayard. Onde "Bayard se gaba de discorrer com segurança sobre Ulisses, de James Joyce, sem jamais ter aberto o livro, e defende que a sacralização da leitura é só uma maneira de perpetuar o fetiche e a pose intelectual." Assim, listo aqui cinco das minhas lacunas que pretendo preencher com a leitura e a pose.


Bukowski - Notas de Um Velho Safado





Marcel Proust - Em Busca do Tempo Perdido





Dante Aliguieri - A Divina Comédia





William Faulkner - O Som e a Fúria (esse eu já comprei)





Ernest Hemingway - O Velho e o Mar





Já que mudei a lista, mudarei o resto. Sem quebrar a corrente porque eu não passo debaixo de escada, mas convidando você para que a prossiga. O que me diz?

Escrito por Andréa del Fuego às 01:39 PM
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Sou voyeur, mas não me interesso pela cópula alheia. Gosto do erro e da instabilidade de uma opinião, do jeito que alguém se levanta, da mira de um atirador, do suor do corretor de imóveis. Para o prazer acontecer, a condição essencial precisa estar preservada, meu objeto de assédio visual não pode se saber visto. Causa-me ojeriza o homem que abre a cortina achando que alguém pode vê-lo nu. Ultimamente, tento me reduzir a nano-escala, pra te vigiar por esses bits.




foto: Nikos Economopoulos

Escrito por Andréa del Fuego às 11:47 AM
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Baú


Chacrinha na Sétimo Céu.



Escrito por Andréa del Fuego às 11:26 AM
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Cansou? Eu ainda estou disposta.



foto: Evandro Teixeira (Chico, Tom e Vinicius)

Escrito por Andréa del Fuego às 12:49 PM
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psiquê

A psicanálise é uma loucura:


"A morte será, então, duplamente presente na relação pai-filho: o pai do pai é aquele que, num tempo longínquo, ele desejou matar e seu próprio filho, aquele que desejará sua morte. Este duplo desejo de morte só pode ser reprimido graças à ligação que se estabelece entre morte e sucessão e entre transmissão da lei e aceitação da morte. Será necessário que o desejo de morte, reprimido no pai, seja substituído pelo desejo consciente de que seu filho se torne, não aquele que o arranca de seu lugar, mas aquele a quem ele dá, no sentido mais profundo do termo, o direito de exercer a mesma função, num tempo futuro. O que o pai oferece pela mediação de seu nome, de sua lei, de sua autoridade, de seu papel de referente é um direito de herança destes dons, a fim de que eles sejam legados a um outro filho. Ao fazê-lo, ele enuncia a aceitação de sua própria morte. Enquanto o pai ocupar seu lugar entre o sujeito e a morte, há um pai que, com sua morte, pagará um tributo à vida: depois de sua morte será o próprio sujeito quem deverá pagar com sua morte o direito à vida dos outros. Na relação do pai com a filha, as coisas são diferentes: ela faz o pai relembrar menos o voto de ódio reprimido. Por outro lado, quando ele morrer, não será ela quem ocupará seu lugar mas, eventualmente, seu filho. A relação do pai com a filha comporta menos rivalidade direta. Temos a prova do perigo menor que ela representa para o retorno do reprimido, na sua possibilidade de adormecer a vigilância da censura. O fato de o pai pressentir que o desejo da filha, contrariamente ao do filho, será o de seduzí-lo e não o de matá-lo, parece favorecer, em certos casos, seu desejo de ser reduzido, desejo que, devido à decolagem de idades, lhe parece "inocente". Daí resulta uma espécie de erotização da relação, mais ou menos larvada, com o perigo, entretanto, que o latente se torne manifesto. Daí a freqüência maior, que para o casal mãe-filho, do incesto, devido à irrupção, na consciência, de um desejo que faz da filha aquela que lhe permite, de forma invertida, realizar seu desejo incestuoso. Por não ter podido tomar a mãe do pai, será a filha que ele tomará dos homens."

A Violência da Interpretação, Do Pictograma ao Enunciado, de Piera Aulagnier




foto: Robert Doisneau

Escrito por Andréa del Fuego às 04:36 PM
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Meus chifres são gêmeos.

Idênticos e de marfim. São a extensão da coluna vertebral, se alonga no pescoço, bifurca abaixo das orelhas, e sobem, debaixo do couro. Nasceram os dois alinhados com os olhos, ornam a cabeça. Se os aponto para o inimigo, tenho nele sentido às setas de cálcio que minha fronte abençoa e influencia. Se os aponto ao amigo, tenho nele razão para deixar se ser eqüina e campestre, mas não posso. Aponto-os então ao céu, ergo meu focinho e que saiam da minha frente e meu rumo. Amar ameaça, meus chifres apontam se olho onde piso.




foto: Nikos Economopoulos


miniconto do livro Engano seu

Escrito por Andréa del Fuego às 11:43 AM
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Rolling Stone

O que Céu faz é música popular brasileira. Eletrônica é a mãe! "Quando falam que faço música brasileira com eletrônica, esse é um erro que não tem nada a ver com o que eu faço." E você faz o quê? "Faço música brasileira contemporânea, com todas as influências que posso te citar: música jamaicana, afro-beat, samba, ciranda e outros ritmos tradicionais daqui."

Maria do Céu tem 27 anos - eu daria 22. No entanto, há uma vovó naquele corpo. Primeiro porque ela não tem pressa, dá um foda-se para o relógio, como a vovó que sabe que o mundo a trouxe, a levará e nele fica o que vale a pena. Faz sopa, torta de frango e para fechar o painel, Céu teve os quatro dentes do siso, todos os juízos, antes dos 20 anos.

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Trecho do que escrevi sobre a cantora Céu para a Rolling Stone, nas bancas.




Escrito por Andréa del Fuego às 10:03 PM
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Tenho chegado depois. Nas mesas onde se brinda estar nela, uma hora atrasada. Em você que ainda pensa, em mim que agora entendo, um dia depois.



foto: André Kertész

Escrito por Andréa del Fuego às 10:54 AM
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Quando lancei Engano seu, o Metrópolis apareceu e falou comigo e Tata Amaral. Foi ao ar sexta passada, mas o UOL deixa ver de novo, aqui.

Escrito por Andréa del Fuego às 03:26 PM
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Das duas, uma: eu.



foto: Allan Grant

Escrito por Andréa del Fuego às 11:09 PM
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"É o artista que é verídico, e a foto é que é mentirosa, pois, na realidade, o tempo não pára." Rodin




foto: André de Toledo Sader

Escrito por Andréa del Fuego às 11:42 AM
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Outro dia minha mãe fez uma revelação: em meu sétimo dia de vida ninguém me viu, nem meu pai. Só ela. Como no sétimo dia da morte que se faz uma missa, fica-se em silêncio. Em vida também, o resguardo é missa viva, celebra o mistério da criação. Minha avó fez com ela, ela fez comigo.




foto: Elliott Erwitt

Escrito por Andréa del Fuego às 11:54 AM
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