Andréa del Fuego


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Não é por nada que alguém se esconde, nesse caso, personagem é uma função.




foto: Henri Cartier-Bresson

Escrito por Andréa del Fuego às 01:47 PM
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Salve, Jorge!

O tenho ao lado esquerdo, porque pra isso serve a lança, degolar o que ousa perturbar a linguagem, ali sentada ao lado direito, coroada. Nosso depurador linfático e gradual. Que o inimigo tenha pés, mãos, pensamento e nada, nunca, nos atinjam.



Gustave Moreau

Escrito por Andréa del Fuego às 03:00 PM
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auto-entrevista


O que está fazendo agora?

Estou em refluxo criativo, terminei um livro e escrevi outros dois em menos de um ano. Agora sou uma onda que se retrai, vou respeitar.


Quando será o próximo lançamento?

Em breve lançarei Engano seu, terceiro livro de contos que fecha uma trilogia: Minto enquanto posso, Nego tudo e Engano seu.


O que é o Engano seu?

É resultado desse exercício de escrita curta que faço neste blog, são sessenta minicontos divididos em quatro partes. O livro é um projeto premiado pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, o PAC. Sairá pela O Nome da Rosa, a mesma editora que publicou meu primeiro livro em 2004.


Você planejou a trilogia ou inventou isso agora?

Planejei. No segundo livro, Nego tudo, fiz o título pensando numa idéia que não terminaria ali, mas em um terceiro. No Minto enquanto posso escrevi trechos curtos entre um conto e outro. Daí veio este blog onde o exercício se alongou. Em Nego tudo os minicontos tomam mais da metade do livro. Em Engano seu não há onde correr, são sessenta drágeas.


E os outros dois livros inéditos, Serra Morena e Sociedade da Caveira de Cristal?

Falarei sobre eles na próxima auto-entrevista.


Pretende seguir essa linha, escrever contos miúdos?

Por isso a trilogia, livro-me desse ritmo com o Engano seu. O manterei sim neste blog, onde é a forma mais prazerosa pra quem faz e lê. Minha próxima escrita é um romance adulto, tenho a espinha dorsal, mas vou descansar antes de pegá-lo.


Olhe para esta câmera e diga o que quiser.

Leia-me, ou te devoro.



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Um conto de Engano seu, em breve, nas livrarias.



Fada é um inseto. Aparece aos sábados e dorme sobre fios de eletricidade. Espargir veneno pra tirá-la da casa qualquer chinês faz. Quero ver pedir a ela que leve suas amigas, em fila indiana, pela porta. Ficar aqui, costurando saia pra fada vagabunda é coisa que fiz, mas não faço mais. A fada tem perna peluda, por isso a saia é comprida. Torneada e fina, a formiga inveja asas transparentes e sem barbatanas. O fêmur é serrilhado como o das baratas, o vestido longo cobre a alergia. Toda empolada, o inseticida funciona pelas manhãs, seu pulmão aberto, as narinas dilatadas. Elas fazem ninho embaixo de você, não em cima.


Escrito por Andréa del Fuego às 11:08 AM
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Para a querida Marily Bezerra, diretora do filme 'Rio de Janeiro, Minas', ela que uniu em círculo e pelas mãos gente interessada em literatura e mistérios. Marily expirou ontem, pra caminhar em outros Gerais.




foto: Alex Majoli

Escrito por Andréa del Fuego às 05:56 PM
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Você deveria ir comigo.




foto: Leonard Freed

Escrito por Andréa del Fuego às 03:11 PM
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Como ganhar um Jabuti

Sou lidíssima, só de passar o olho na primeira frase sei que o leitor me reconhece, prazer, Úrsula Pontes. Autora de 'Quem chegar, chegou', entre outros. Não faço auto-ajuda nem literatura, faço auto-literatura ou alta-ajuda. O que confunde no começo, enche meu bolso depois.

O que digo aqui não serve só para iniciantes, engano seu. Aqueles que já têm Jabuti, prestem atenção, a batalha nunca está ganha.

Pra começar sintonize-se com o Jabuti, na cadência, na energia. Sendo uma tartaruga, o Jabuti não exige velocidade. Ele é lento, fleumático, tente imitá-lo ao andar pelas livrarias. A comissão julgadora não estará lá pra te ver. Será? O círculo literário é um maço de cigarro, cabe na bolsa.

Em festas literárias ou simples cerveja com autores, sorria sempre e muito. Está desgastada a imagem do escritor introspectivo. Deixe a boca aberta e vire a cabeça de um lado para outro aumentando o raio de alcance. Indica segurança em todas as instâncias: seguro se a crítica tirou sua pele; seguro se não vendeu livro algum; seguro se nem livro publicou ainda. Refiro-me aos inéditos porque são o que mais querem um prêmio literário, os veteranos fingem que não.

Importante: boca aberta só para sorrir, cuidado com o que fala.

Quando estiver numa roda de escritores amigos, fale apenas o necessário, não vá discordando; eles bebem juntos para brindar, não atrapalhe. Não cante escritoras casadas nem escritores enrolados; eles são confusos e vão te evitar depois.

Pega bem não ir a todos os eventos; de vez em quando, não vá.

Não tem putaria na literatura, é um mito, o troço é parado. No máximo um ou outro atende por fora; um ou outro (com Jabuti) lancha uma atriz; um ou outro editor come uma poeta; uma ou outra tradutora dá para o Jabuti categoria capa; nada mais besta que a vida sexual dos escritores. Para uma vida sexual movimentada, procure os dentistas.

Em pouco tempo perguntarão sobre sua vida, não minta, omita. Pense em braços sendo amputados quando perguntarem sobre a fase de criação; neste momento é preciso densidade, uma tristeza.

Não passe dos oitenta quilos, não deixem pensar que é ansioso. Se for mulher, não passe a idéia de que a bunda caiu e use meias kendall. Não tem a ver, mas tem. Enquanto a presença do livro não é maciça, ao menos faça agradável sua presença física.

Não seja fashionable, indica temporalidade — ou então, faça crônicas.

Ah, sim, ia esquecendo dos sites. Os sites literários de nada adiantam se você não se envolve com os participantes. Você precisa cavar cumplicidade no meio. Não se envolva em fofocas. Elas favorecem a pulverização dos nomes, mas podem te prejudicar. Ninguém quer ser teu amigo, o que eles querem é mais um elo na corrente literária. Finja-se de elo e não passe adiante que ciclano magoou beltrano por trás, atrás da tenda dos livros de um real, na feira de livros em Sapucaiana. Caso tenha sido testemunha ocular do fulano que bateu na ticlana e cantou o otrano, esqueça o que viu. Se você for um traste amoroso, invente uma paixão platônica, não deixe que criem boatos, faça o seu própiro boato.

Importante: livre-se dos poetas, mesmo que você seja um. Num lançamento — perceba a importância dos lançamentos — não dê corda para poetas. Eles falam o que deixam de escrever, são prosadores falantes ao vivo, dizem frases soltas, e não te largam. Tente não olhar nos olhos, não crie laço. Com um poeta ao lado, você corre o risco de não conhecer mais ninguém.

Quem são as pessoas interessantes num lançamento? Na chegada, todos. Cumprimente-os com a técnica do sorriso e não beba o vinho branco. Com o tempo você pode tomar vinho branco, mas é peciso já ter livro publicado. Com dois livros você pode tomar dois copos; com três, três; com quatro você não precisa mais ir aos lançamentos. Repare quantos autores consagrados freqüentam lançamentos. Só vão aos deles.

Lobby é cafona, mas funciona. Os caras já esperam lobby, assédio, o bilú bilú tetéia. Seja fino, lobby tem efeito quando não se pode percebê-lo. Nada de convidar um editor para uma leitura com violão em seu prédio. Eles detestam e vão marcar sua cara. Não dê originais em bares, eles esquecem lá.

Quando algum autor se dispuser a ler seu original, não acredite. Ele está apenas sendo agradável, o escritor acredita que é visto e ouvido mesmo no cantinho da livraria; ele é simpático por vaidade. Vai ler e fugir de você nos próximos lançamentos, isso se o texto for ruim; se for bom, não vai te desejar um Jabuti.

Para autores inéditos sugiro lançamentos toda semana; para os com até três livros publicados, indico saraus em casa de escritor; para quem passou dos seis livros, fique em casa para valorizar a presença.

Sim, não falamos dos livros, mas isso é com você, meu amor, não comigo. Para mais, leia minha obra, disseque minha vida, me glorifique e não se arrependerá; conheço um cara que pode te ajudar.


(conto escrito em 2005 para uma antologia que sairá pela editora Bertrand, organizada pela gloriosa Ivana Arruda Leite)

Escrito por Andréa del Fuego às 09:51 AM
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Contos de Agora

Voltei com um convite. Nesta terça, 10 de abril, tem lançamento da antologia em áudio Contos de Agora. São 21 autores organizados pelo escritor Moacyr Godoy Moreira, os textos foram gravados na voz de Leona Cavalli e sai pela Livro Falante. Postei sobre o projeto há algum tempo, no site é possível ouvir trechos dos contos. Pra acabar de ser fino, a festa será na Livraria da Vila Lorena.

Alameda Lorena, 1731, a partir das 18:30h.

Até já.

Escrito por Andréa del Fuego às 05:10 PM
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Nego tudo





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Sociedade da Caveira de Cristal





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Os Cem Menores Contos
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30 Mulheres que Estão Fazendo
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Doze





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35 Segredos para chegar a lugar nenhum





Contos de algibeira





Capitu mandou flores





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