O programa Entrelinhas, da TV Cultura, deu-me a honra de sua visita. Servi café, Ivan Marques foi sentando na sala, Paula ligando o microfone e o resultado é que minha alma foi com eles. Se quiser entrar em minha casa, esta é a oportunidade e um convite.
A entrevista vai ao ar nesta quarta-feira, 28 de fevereiro, às 22h40. Reprise dia 4 de março, domingo, 13h00.
Será o primeiro inédito do ano, trazendo também uma homenagem ao Gabriel García Márquez e o peralta Reinaldo Moraes discutindo o realismo mágico na literatura latino-americana.
Vai perder? Eu te mato. Escrito por Andréa del Fuego às 09:01 AM
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Fale comigo.
foto: Frank Horvat Escrito por Andréa del Fuego às 02:21 PM
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No clima da Ivana, que me viciou em seu blog atualmente dedicado ao passado, boto aqui (e só essa) uma das únicas fotografias de quando eu era mocinha feita e corajosa.
No zoológico, entre minhas tias gêmeas, batendo palma para o que viesse. Hoje uso o mesmo cabelo. Escrito por Andréa del Fuego às 12:45 PM
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Avon
Meu nome é Agenor Sampaio, vou iniciar a palestra de forma clara e direta. Essa rede de cosméticos em que vocês todas trabalham como consultoras de beleza e que eu, muito satisfeito, presido, se fez existir por conta do que explanarei.
Gostaria que as senhoras do fundo ficassem em silêncio, obrigado. Abro os trabalhos dizendo que a mulher bonita é mais amada que a feia. Já viram um homem diante de uma bela fêmea? É a falência de toda defesa. Não irão vê-lo igual diante de outra coisa.
Ele pode, sim, se apaixonar por uma mais ou menos. Mas se a paixão é por uma linda, as pernas não respondem, a saliva engrossa, o sangue afina. O homem tem um ferrão incandescente, um bastão em brasa que vai sapecando a mulher até secar a vida dela. Pode ser filho, irmão, pai, amante. Não é o sexo, é um ferrão psicológico. Nas belas, o ferrão pode se esfriar, pois nela, na beleza, há um antídoto que eu chamo de Bacia de Mercúrio.
Uma vez tendo o homem amornado o ferrão, a bonita se liberta. Já a feia não possui a Bacia de Mercúrio, mas um Pote de Maionese. O que de nada adianta. Em vez de amornar o ferrão, a maionese oxida, piorando as coisas.
— Ele é médico?, sussurrou Clotilde, gerente de vendas, para Rosária, do atendimento ao consumidor.
— Sei lá… mas onde fica essa Maionese?
Vi esta empresa nascer para botar ruge nas faces: ruge de pétalas nas belas, ruge de vergonha nas feias.
Francamente, não vamos deixar mulher alguma mais bonita. A mulher feia menstrua, a bonita floreia.
Feia escreve carta, bonita recebe.
Eu mesmo já gostei de uma feia, nem se compara.
Entendam, feias nascem, bonitas vêm à luz.
Não será um batom vermelho que aumentará a carne dos lábios a ponto de deixá-los reais. Eis o ponto: a beleza é a realidade.
As feias vão secando e as bonitas estão ameaçadas. Vejam, o sujeito atingido pela beleza — com medo inconsciente da Bacia de Mercúrio — se vê ameaçado e pode matar a bela.
Ele mata porque precisa dar fim ao que não entende. Pois se nem a bela possui a própria beleza, que dirá seu observador. Só o espelho a possui em sua prata. A humanidade lá fora que se lixe. Para nosso conforto, sobram as lindas que se deixam fotografar, eternizar-se na prata dos filmes. Notem, sempre a prata. A lua é prateada e por isso feminina, tão feminina que movimenta as águas aqui embaixo. Mexe a água intracraniana. Olhem o alcance.
— O que você está achando?
— Se, de novo, esse cara chamar a gente de feia, eu telefono pro Oswaldo.
Agora demonstrarei o que disse. Apaguem as luzes, por favor. Vejam este homem: os olhos dele, vêem as pupilas dilatadas? Nesse outro slide, num quadro maior, podemos ver para onde os olhos se dirigem: uma mulher bonita. Pupila dilatada só é possível tendo prazer, minha gente. O prazer está em tocar a miragem.
Eu disse que a beleza é a realidade. Pois bem, a miragem é a realidade do deserto. Quem aqui não andou pelo dorso de uma duna de areia quente? Andaram sim, pela idade de vocês, andaram sim. Em sonho, minhas senhoras. O sonho é a tal miragem do deserto.
Não tenho, antes que me peçam, a receita ou algum argumento que console as feias. Tenho apenas o aparelho sensitivo, esse que vocês também possuem: olhos, boca, ouvidos, tato e olfato, tudo para as maravilhas. Não concordo com a política correta que dá espaço para os defeitos. Isso nada tem a ver com machismo, tampouco neurose pessoal. Está embasado no comportamento inalterável do ser humano.
Os vossos companheiros não devem ser censurados no desejo pelo belo, esteja o belo em que face estiver. Nunca. Pode acontecer de, em vez de matar a bela, ele matar vocês que o impedem de dilatar as pupilas.
— Vou lá fora tomar um ar, sussurrou Rosária.
— Eu vou com você, seguiu Clotilde.
Vocês duas, esperem. Vou concluir, sentem-se.
Bonitas e feias estão perdidas. A bonita porque o sujeito tem medo da Bacia de Mercúrio; a feia, porque o Pote de Maionese azeda a vida dele.
A salvação das feias é estar perto da bela, amá-la como se ama um filho — quando digo isso, me arrepio todo.
A mulher bela é o ápice do amor. Homem que ama mulher feia é covarde, o pior deles. Homem em conformidade com o Alto se apressa no contato com o maior da Criação. Quando perde o medo da beleza, pode ele mesmo derrotar a Bacia de Mercúrio.
Sapecar a bela, isso sim o objetivo maior de um ferrão incandescente.
— Eu não fico aqui mais um minuto.
Olhem lá, um Pote de Maionese saindo da sala. Um a menos.
Se acham que vou explicar a fórmula dos novos cremes, isso não importa mais. Esta palestra nesse vale, neste final de semana que a empresa deu de presente, foi para fazê-las acreditarem mais em nossos produtos para, enfim, vendê-los melhor.
Sairão daqui informadas quanto à própria feiúra e mediocridade.
A beleza é meio, fim e recomeço.
Não vou enganá-las: fico sem forças ao ver mulheres tão feias juntas umas das outras. Fossem vocês lindas e brilhantes e eu mesmo seria, aqui e agora, senhor deste mundo.
Boa tarde a todas.
foto: Edward Quinn
Conto publicado na antologia '+30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira', Editora Record Escrito por Andréa del Fuego às 01:07 PM
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Eu não existo só quando você me vê. Enquanto não me sabe, vivo tanto quanto. Escolher-me pra existir não descarta minha vida aos olhos do outro. E nem matando esse outro, morro na perspectiva de ser amada.
Bye Bye Brasil Escrito por Andréa del Fuego às 11:33 AM
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blog
A Vogue RG deste mês convidou a escritora Cecilia Giannetti pra falar sobre os blogs literários. E ela indicou, carinhosamente, seus favoritos: Bruna Beber, Sérgio Mello, Xico Sá, e este. Giannetti falou do quadro-post, e percebi que blogar é irreversível, preciso e devo, por puro deleite, me jogar mais neste vício. Obrigada, Giannetti!
Bruna Beber disponibilizou a matéria aqui. Escrito por Andréa del Fuego às 06:55 PM
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Canto de Ossanha - Fabiana Cozza
Para ela mesma, a Fabiana. E Xangô, amigo dela.
câmeras: Leonardo Bello, Chico Garcia e Raulzito / edição: Kim Castro e Aritanã Dantas Escrito por Andréa del Fuego às 11:22 AM
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