Andréa del Fuego


releitura

Dom Casmurro, Machado de Assis


"Ele fere e cura!" Quando, mais tarde, vim a saber que a lança de Aquiles também curou uma ferida que fez, tive tais ou quais veleidades de escrever uma dissertação a este propósito. Cheguei a pegar em livros velhos, livros mortos, livros enterrados, a abri-los, a compará-los, catando o texto e o sentindo, para achar a origem comum do oráculo pagão e do pensamento israelita. Catei os próprios vermes dos livros, para que me dissessem o que havia nos textos roídos por eles.

— Meu senhor — respondeu-me um longo verme gordo —, nós não sabemos absolutamente nada dos textos que roemos, nem escolhemos o que roemos, nem amamos ou detestamos o que roemos; nós roemos.

Não lhe arranquei mais nada. Os outros todos, como se houvessem passado a palavra, repetiam a mesma cantilena. Talvez esse discreto silêncio sobre os textos roídos, fosse ainda um modo de roer o roído."

Escrito por Andréa del Fuego às 03:52 PM
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O Globo

Como a versão online do jornal pede cadastro, aqui está a crônica de Joaquim Ferreira dos Santos publicada no O Globo:


Um banho de contemporâneo


"Ela é a louramá mais espevitada de sua novíssima geração de ultramodernos, gente que decora sala com grafites da Fleshbeck Crew, uma garota de vinte e poucos anos que quer ser fotografada toda nua, toda amarrada como se numa pose das desocupadas do japonês Araki. Nós estávamos ali, como quem não quer nada, assim sem mais nem menos, na maciota legal da cariocagem vagabunda, nós estávamos encostados num poste vadio de um domingo recente na Marquês de Abrantes comendo pastel de carne moída no Bar do Osmar e foi então, sem mais, sem menos, sem coisa nenhuma para fazer entre uma dentada e outra no que há de tão tradicional em nossos estômagos, que a loura mais morena e mais moderna de toda a sua geração de radicais livres percebeu um espaço vago entre as luvas Everlast que me protegiam as fuças intelectuais.

Veio com tudo.

Ela jabeou seu doce golpe de pantera punk nas minhas mandíbulas cansadas. "Você precisa tomar um banho de contemporâneo, seu Joaquim", e eu imediatamente comecei a contar nas internas o clássico um, dois, três dos boxeurs. Parei no sete quando me apercebi recuperado do nocaute vexatório da desinformação cultural e reagi com uma paródia de Drummond, "Querida, eu cansei de ser moderno, quero ser tenro", no que ela, com o mesmo esgar da Hello Kitty tatuada no omoplata, me deu um sorriso de mofa satisfeita e ofereceu a azeitona verde do pastel como cachimbo para uma mordida de paz. A Hello Kitty carioca disse que eu havia sido pós-moderno na desconstrução sagaz do poeta, mas que isso era apenas um cacoete literário do início do milênio e que para o meu caso não havia remédio nem solução a não ser mergulhar nas águas miraculosas de um banho de contemporâneo.

Eu deveria, recomendou baixinho, me purificar com o perfume novo das vitaminas que ainda não haviam chegado ao supermercado.

Calei fundo, como me é de estilo, e solfejei em silêncio meu Lupicínio de ocasião. Esses moços, pobres moços, ai se soubessem o orgulho que tenho das coisas que eu não sei.

A louramá mais espevitada do momento me socou na lata, plasma da vida, onde já se viu?, profundamente desapontada. Eu, que havia acabado de lhe cantar na orelha uma versão sampleada das marchinhas futuristas do Braguinha, eu achei burramente que Andréa Del Fuego, a quem ela citava com exaltação quase cívica, era alguma descendente direta da vedete Luz Del Fuego, quando na verdade a força da nova Del Fuego não está num par de coxas roliças mas nas artimanhas com que o seu cérebro contemporaneamente musculoso vai cravando pontos e mais pontos em frases curtas, enxutas, sem os adjetivos das celulites, nos textos de um blog que é a sensação entre os que sabem das coisas.

Quem sou eu, primo, para tamanha atualidade e inteligência! Eu só sei de cantores mortos, de prédios tombados, de cheiros esquecidos. Sei apenas, durmo com elas, das palavras antigas que a areia do deserto da Barra sopra e o vienatone me deixa ouvir lá no Cosme Velho.

Eu, que dos modernos tinha ido até um policial do Murakami, não sabia que Andréa Luz Del Fuego era a escritora mais espetacular surgida naquela semana e foi aí que a garota de olhos azuis, a mais moderna e mais resolvida da mais nova geração de novos artistas plásticos que havia na cidade na primeira semana de novembro, ela me recomendou as águas mornas do tal banho de contemporâneo, um roteiro de mistérios que pacientemente carreguei no fundo dos óculos e cumpri dia após dia. Dancei o DJ Shadow às terças-feiras no La Cueva, vi todos os filmes do Spike Jonze, comi no Mian Mian, vesti cueca Herchcovitch e até mesmo parei de usar a fralda da camisa dentro da calça. Adotados esses movimentos, fui eufórico anunciar pimpão, com o cuidado de não proferir tamanho sarrabulho semântico, para quem ma ordenara o banho de loja cultural. Tinha a esperança de que a loura bacanuda me aceitasse de novo na aba de seu pastel.

Foi aí, numa sabatina em meio às empadas de camarão do Caranguejo de Copacabana, que a loura, mais hodierna do que nunca pois já estava usando umas mechas avermelhadas na franjinha, foi aí que ela trocou o jab do primeiro embate por um punhado de morangos mofados jogados com carinho, mas a troco de mofa crítica, dentro do meu paladar cansado. Aquilo tinha sido o contemporâneo de ontem, seu Joaquim. Desde então a roda da fortuna antenadinha já havia completado três voltas, desprezado os cantores desconhecidos do TIM Festival por terem se tornado subitamente conhecidos, e agora consagrava como coisa mais importante do momento naquela semana a escritora de um blog que transmite literatura como se estivesse vendo o mundo de uma câmera digital instalada dentro da cabeça do bispo Macedo.

O sabor do contemporâneo, ensinou baixinho, não estava no recheio com que se enche o pastel de vento, mas na rapidez com que ele é comido. Não é o beijo, mas a velocidade da língua. Não é a beleza da bola de sabão, mas ela desmanchar em seguida.

O mundo gira, a Lusitana roda e a louramá, graças a Deus, não cansava de inventar moda. Isso é antiquadamente bom."


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Louramá, você está por aí?

Escrito por Andréa del Fuego às 03:05 PM
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Joaquim Ferreira dos Santos - O Globo

Mara avisou que Joaquim Ferreira dos Santos havia citado meu nome em sua coluna, desta segunda-feira, no Segundo Caderno de O Globo. A versão online do jornal pede cadastro, mas é das mais modernas, toda em Flash. O fato é que fiquei de boca aberta, não é só uma citação, é... leia e me diga o que é. O título da crônica é "Um banho de contemporâneo". Está aqui. Se não conseguir, tento copiá-la no blog, diga lá.

Escrito por Andréa del Fuego às 11:08 AM
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hoje

Em Diadema está acontecendo a 1ª Mostra Internacional de Literatura, evento que começou dia 17 deste mês e segue até dia 30.

Hoje, às 20hs, participo da Mesa Rachel de Queiroz com Carlos Henrique André, Índigo, Ivana Arruda Leite e Sarah Helena, no Teatro Clara Nunes.

Programação completa aqui.

Escrito por Andréa del Fuego às 11:05 AM
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Não é medo o que temos pela morte, é desejo dela, que ela se realize, que a gente consiga se suicidar, matar o inimigo, morrer no fim. O problema é que ela não existe, de forma que o pior não é o processo, mas sua ausência.



foto: Robert Doisneau

Escrito por Andréa del Fuego às 09:36 AM
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De abacaxi

Fico perto de meus semelhantes, os de fruta ficam longe dos com leite. O rapaz vai gritando: tem cremoso, tem com fruta. Quarenta graus. Saí da forma há oito horas, estou no fundo do carrinho. Vejo a luz entrar entre nós, pelas laterais, o rapaz deixa um ou outro tombar, procurando um côco queimado. Depois bota tudo no lugar, sem alterar minha rota.

Colegas de limão e uva vão desaparecendo ao meu lado, quase caio sobre o de goiaba. Chocolate é mais caro, com granulado dobra o preço. Ainda não vi de melancia, de onde vim, não fazem.

Quero dois de abacaxi, pediu uma senhora. A tampa do carrinho se abriu mais uma vez. Ouvi os cremosos em pote sendo tirados do lugar sem cair, ele tem muito cuidado com os de pote. Sundays de morango e baunilha.

Foi abrindo-se uma clareira e o amigo de cima foi retirado, fiquei de cara com o rapaz mulato de uniforme vermelho. O céu azul, a senhora loira lembrou, quero mais um. Fui erguido, enfim. O verão chegou pra mim. Das mãos dele para as dela, já transpirei um bocado. O suor escorria em meu vestido amarelo.

O mulato seguiu gritando. A senhora sentou-se ao lado de um menino. Filho, peguei um pra você. Fui entregue ao garoto, rasgou com os dentes minha embalagem, a língua quente resgatava meu suco indo embora, alcançando os punhos.

Não me mordia, deixou-me de frente pro mar, diminuindo meu tamanho, lambendo aos poucos. Ofereceu-me ao sol, toda minha fruta, minha água, até chegar ao palito.



foto: Elliott Erwitt


(conto sobre o paladar para a Espaço Fashion)

Escrito por Andréa del Fuego às 11:20 AM
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Território Nacional

Moacyr Godoy Moreira toca o Território Nacional, um evento mensal em que dois autores são convidados para um bate-papo e leitura de seus textos na Rato de Livraria, na Rua Paraíso, 790 – metrô Paraíso, 3266.4476.

Estarei lá nesta terça, dia 14, às 19h30, com Luiz Roberto Guedes, autor de O Mamaluco Voador.

A livraria é aconchegante, Guedes e eu somos simpáticos e faremos as honras da casa. Tem cerveja, café e pão-de-queijo.

Tô te esperando.

Escrito por Andréa del Fuego às 10:17 AM
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Nós do Centro

Estou fazendo um trabalho, o livro Nós do Centro, um projeto da Prefeitura de São Paulo em parceria com a Comunidade Européia. Fui convidada pela escritora, tradutora e filósofa Maria Alzira Brum Lemos que está na edição e capitaneando o livro. Com Henk Nieman, o fotógrafo, nos jogamos pelo centro da cidade coletando depoimentos de moradores e comerciantes da força centrípeta de São Paulo. Que experiência!

Semana passada encontrei Iranilde, moradora de um edifício ocupado, sentada em seu carrinho de papelão vazio. O "rapa" havia confiscado sua mercadoria. Papelão agora é mercadoria. Catar papelão virou negócio, negócios incluem organização, organização inclui política.

Ela tem um filho, o Irlan, com talento para eletrônica. Ela me fez um pedido e divido com você:

Sabe de alguma ONG, em São Paulo, que capacite jovens nessa área? Ele sabe consertar relógios e gravadores. É urgente, caso tenha informações, email-me, please: delfuego@uol.com.br.

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Depois conto da Mãe Preta, moradora de rua que foi doméstica na Jamaica, do cantor de cantina, da transex cubana, do presidente dos lojistas do Belém, do sanfoneiro da Sé, do professor de sumô, do tatuador chinês, dos artistas, de tantos, da vertigem de todos eles.

Escrito por Andréa del Fuego às 06:08 PM
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Livraria Cultura: O que se faz e pensa em literatura hoje?

Marçal Aquino: Percebo muita gente se queixando de que a literatura brasileira só se ocupa do real e só fala da violência urbana, mas acho que essa é uma visão equivocada. Há literaturas para todos os gostos, e a de cunho realista é apenas uma delas. Outro dado fundamental: nunca na história da literatura brasileira houve tantas mulheres escrevendo (e bem) ao mesmo tempo. Cito algumas cuja literatura me agrada muito: Ivana Arruda Leite, Adriana Lisboa, Andrea del Fuego, Tércia Montenegro, Índigo, Cintia Moscovich.


Livraria Cultura: Quem são os escritores contemporâneos de maior destaque?

Marçal Aquino: Pessoalmente, acompanho com atenção a trajetória de vários autores contemporâneos. Entre eles, um destaque é Luiz Ruffato, escritor da minha geração com um claro projeto literário e, mais que isso, com profundas marcas de humanismo naquilo que escreve. No momento ele está envolvido com uma realização arrojada: um conjunto de cinco livros intitulado Inferno provisório (dois volumes já foram publicados, Mamma Son Tanto Felice e O mundo inimigo), abordando o processo de transformação que ocorreu no país nas últimas décadas. Entre os escritores mais novos, gosto do carioca João Paulo Cuenca, que estreou com um romance muito bom, chamado Corpo presente. Gosto também dos gaúchos Daniel Galera e Paulo Scott.


Livraria Cultura: Entre os clássicos, quais os que resistiram mais vigorosamente ao tempo ou até ganharam novo vigor?

Marçal Aquino: O escritor clássico é uma espécie de matriz, pois sua obra vai sempre influenciar novas gerações de escritores. O clássico sempre poderá ser lido por uma perspectiva nova, daí ser clássico. Penso que isso vale para gente como Machado de Assis, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Drummond, Jorge de Lima, Clarice Lispector, João Cabral e Osman Lins. Talvez seja um pouco ousado, mas eu me arrisco a pensar que alguns autores relativamente recentes (estão vivos ainda) têm uma obra que já dá mostras de ter entrado para o cânone. Caso do Raduan Nassar e suas duas novelas Lavoura arcaica e Um copo de cólera. E também do Rubem Fonseca, que, a meu ver, já tem lugar garantido na história da literatura nacional, entre outras coisas, por ter dado feição ao moderno conto urbano brasileiro, sobretudo com a primeira parte de sua obra....


Íntegra

Escrito por Andréa del Fuego às 11:52 AM
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news

Hoje tem Cristiane Lisbôa lançando “Papel-manteiga para embrulhar segredos”, editora Memória Visual. É um romance epistolar com receitas entre as cartas. Escrevi a orelha do livro e reitero: Lisbôa faz literatura até com miolo de pão. O lançamento será cheio de degustações. Fino no último. Será no Duplex Bistrot – R. Melo Alves, 445 – Jardins, 20hs.

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Na quarta, dia 8, Maria José Silveira lança “Guerra no coração do cerrado”, editora Record. Tive o prazer de ler antes de ser publicado, é um romance forte, encorpado, amarrado, dos bons. Será na Livraria da Vila – R. Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena, 19hs.

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E tem mais um número da Sítio, revista literária portuguesa.

Neste número, a edição coordenada por Luís Filipe Cristóvão com a colaboração de Susana Moura e Daniela Catulo, estão os autores: Eduardo Pellejero (Argentina), Ana Beatriz Guerra, Andréa del Fuego, Edimilson de Almeida Pereira, Estrela Ruiz Leminski, Fábio Rocha, Natércia Pontes, Raphael Vidal, Ronize Aline (Brasil), Harold Alvarado Tenório (Colômbia), Alberte Román, Xavier Queipo (Galiza), Inês Leitão, Paulo Ferreira, Luís Naves, Ruy de Nerval, André Simões, Luís Filipe Cristóvão, Luís Natal Marques (Portugal) e Prisca Agustoni (Suiça).

Com fotografias e ilustrações colaboram Ana Tomás, André Simões, Rosa Chaves, Vanessa Fernandes (Portugal) e Ozias Filho (Brasil).

O lançamento é hoje, em Portugal, na Expotorres, por ocasião das Festas da Cidade de Torres Vedras.




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Nova revista literária na rede: Revista Vagalume.

A publicação é editada por Cida Sepulveda. Participo com um conto nessa edição de estréia, na companhia de José Castello, Fabrício Carpinejar, Nelson de Oliveira, Estrela Leminsk, Rinaldo de Fernandes, Luci Collin, José Luís Mora Fuentes,Tereza Yamashita e muito mais. Dê um conferes.

Escrito por Andréa del Fuego às 07:58 AM
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Terra Estrangeira



Fernanda Torres e Fernando Alves Pinto
em fotograma de Terra Estrangeira


Eu tinha dezessete pra dezoito. Já morava com meu marido e queria prestar vestibular pra Cinema. Caí de pára-quedas na Movi&Art, produtora dos comerciais mais cult's da temporada. Campanha de cigarros Free, onde diretores como Walter Salles e Ricardo Van Steen faziam películas quase autorais.

Entrei como estagiária de produção. Calcule que produção é um trabalho falsamante objetivo levando em consideração as várias decupagens subjetivas em que é exposto um filme publicitário, imagine o autoral. Conte que uma estagiária de produção pode recolher sacos de 100 litros de folhas secas no Ibirapuera para uma tomada de um comercial da Gelol. Essa foi minha primeira tarefa. Meu primeiro set de cinema foi um comercial de Gelol. Cheguei numa "refação", ou seja, o filme já tinha perdido horário de inserção pelo atraso das filmagens. Há dez anos os computadores não resolviam o que resolvem hoje. Éramos analógicos, no máximo alguém carregava um Bip nas calças. A equipe estava tensa, bastava uma gota pra arrebentar os nervos do maquiador ao diretor.

O menino que caía da bicicleta trabalhava em circo. Depois de inúmeras tentativas, o pai disse que ele faria só mais uma cena e o levaria de volta pra casa, que aquilo já era palhaçada. De repente, de um dia garoento, surgiu o sol. Iluminou as folhas inteiras, devidamente colocadas por mim, feito a última camada de lasanha, perfeita. Tudo pronto. Eu ficava embaixo do pequeno precipício de onde o menino se jogava com uma bicicleta. Com uma flanela na mão, secava o menino para, caso fosse necessário, ele voltasse a fazer a tomada. A cena foi um sucesso... e só não foi ao ar, coroando o dia, porque eu, a estagiária, aparece chacoalhando a flanela, em flagrante emoção na frente da câmera. Bem no desfecho da cena. Eu estava feliz por estar ali, por ver como o cinema, publicitário ou não, trabalha com o acaso.

Se eu tivesse amor próprio, nunca mais teria voltado à produtora, tomei pedrada de TODA a equipe. Como eu me amo com parcimônia e meu primeiro trabalho foi numa loja de camisas e sapatos, aquilo tinha pelo menos um charme. Fiquei por lá e pude participar de Terra Estrangeira, filme de Walter Salles.

Quando rolou o longa-metragem, eu já sabia me comportar e me mantinha quieta e longe das câmeras. Filmaríamos de madrugada na Avenida São João, num apartamento alugado, onde morava o personagem Paco, interpretado por Fernando Alves Pinto. Eu teria que ser a primeira a chegar e deixar o café da manhã pronto para a equipe. O diretor de produção, saudoso e querido Afonso Coaracy, pediu que eu fizesse 20 litros de café. Acordei às 2 da manhã para a tarefa. No dia seguinte, munida de walk-talk, ouvi o produtor dizer ao maquinista:

O café da Andréa é bom, não?
Porra, pelo menos tá coado!

Meu nome está nos créditos finais, lá no fim, quase encostando no Panavision, e eu me chamava Andréa Fátima dos Santos. Adoro o filme, acho que é um dos melhores do cinema nacional, e não é porque conheci Laura Cardoso no camarim (ela foi poupada do café). Pena que quando a equipe foi à Portugal, não pude ir. Uma estagiária de produção se arruma em qualquer esquina.

Anos depois, trabalhei como produtora de elenco com Gigi Trujillo, aí ficou melhor. Como em um teste de modelos na casa da família Salles. A mansão foi projetada por Oscar Niemeyer, a piscina em formato de ésse. Os jardins de Burle Marx, o bosque de pau-brasil. Foi onde entrei na maior biblioteca privada em minha vida (dei uma circuladinha). Os espaços eram tão incomuns que cada sala se abria numa surpresa, tão grande, tão genial, que alguns cenários de Daniela Thomas moravam lá. No teste de elenco, os modelos tentavam estrelar uma campanha internacional da Coca-Cola. Como se não bastasse era Rio de Janeiro, a cidade fumegante.

Walter Salles não faz idéia de que eu existo, nem naquela época, nem que hoje escrevo e arranjei um pseudônimo argentino.

Escrito por Andréa del Fuego às 12:42 PM
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Domingo

Vamos tomar um belo café da manhã?

Domingo, dia 05, às 10h00, estarei com Ivana Arruda Leite e Victor Del Franco, mediados pela Ana Rüsche, no Café Literário. O que é? Leitura, bate-papo e café da manhã bem servido. Gratuito, só entrar e sorrir. O evento faz parte da maratona cultural dos Satyros, são as Satyrianas.

Será bom e saudável. Local: Café dos Satyros I - Pça. Roosevelt, 214

Escrito por Andréa del Fuego às 03:04 PM
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É preciso que alguém

nos consuma a água, seque a casca, nos derrube do caule. Discordo. Quando alguém se aproxima eu me contraio, nem é preciso o ato. Pois basta o amor próprio, essa chuva esparsa, para que eu suba e caia outra vez.




foto: Helen Levitt

Escrito por Andréa del Fuego às 11:49 AM
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