Andréa del Fuego


A quoi ça sert l'amour?

Edith Piaf responde.




Escrito por Andréa del Fuego às 09:10 AM
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Artes Plásticas

Jan Fjeld é um cara que admiro demais. Ele e Eduardo Brandão emprestaram ao Museu de Arte Moderna o acervo impecável que os dois mantêm, trata-se de um comodato com 145 obras.

Lá fomos, André e eu, cruzar o parque do Ibirapuera até o século XX da plástica brasileira. Esse cruzar vai afrouxando o pensamento, é um alívio afrouxar.

Artista plástico parece usufruir de uma liberdade tão grande com os objetos, misturam tinta, tecido, louça da avó, caderno da primeira série, e fica a imagem, alguma coisa que não existia antes, embora os objetos sejam vistos no ordinário dos dias. Querem nos dizer que podemos nos refletir de manhã quando derrubamos café na louça? Ou que é preciso tirar de sua morada todo objeto que se fixa a um propósito?

Incluo nisso a literatura. Posso pegar os objetos, o mais ordinário, a palavra mais reles, e recortá-la para outra moldura, que também pode ser vil, e botar no museu, na parede, dentro do livro. O leitor reconhecerá a palavra ordinária, seu objeto de propósito fixo, num lugar impensado por ele e por isso, recolocá-la, nem que seja de volta.

Jan, obrigada.



José Leonilson, Ninguém Tinha Visto, 1988


Saiba tudo, aqui.

Escrito por Andréa del Fuego às 12:26 PM
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Da outra vez foi assim,

fui, e sabendo que a forma não agradava, segui pra beber o que vem daí: o que alguém oferece quando há uma única chance. Agora não, não é expectativa, a corda entre o navio e o porto já se solta devagar. A forma já me escraviza, sardinhas fritas, conto de fado, fado de estrada, que diminuo o volume pra ouvir teu choro ao volante. Lembra da mãe, do avô, soluça. Um homem de garbo simulado, de tez rural, feito a minha, ensolarada. Pode ficar com o lenço, eu tenho um compromisso.




foto: Frank Horvat Photography

Escrito por Andréa del Fuego às 03:26 PM
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Edifício Solar

O ano era 98. Morávamos num apartamento de aluguel salgado, onde ficamos até o primeiro calote.

Walter Nu, naquele tempo era Walter Nunes e eu, Andréa Santos. Ele era produtor, como eu na época. Walter me visitava à tarde e saía na manhã seguinte. O que a gente fazia? Pirávamos bebendo litros de café. Ele estava lá quando houve o apagão. Lembram-se do apagão? Nós três (André, Walter e eu) tivemos insights no escuro, seríamos reis e rainha de um grande império. Muito bem.

Um dia chegou Walter Nu com uma idéia. A gente ia fazer um programa de televisão chamado Eco Circo, projeto que ele agora desenvolveu com seriedade, produziu e realizou este ano; não estou no projeto, mas sei que deve estar por aí em breve.

Pensávamos no figurino e nas tomadas de helicóptero quando a porta da cozinha, que estava não só fechada como trancada, abriu-se... e fechou-se.

Achamos que era um sinal. Bem no meio dos custos, da revisão da sinopse, era um sinal. As portas e os portais se abririam para nossa passagem na Terra.

Quando fui levá-lo à portaria, um recado no elevador convidava os moradores para a missa de sétimo dia do diretor da Globo, Paulo Ubiratan. Sua mãe morava no prédio. Eu não sabia, só conhecia dona Helena, octogenária que nos alugava a garagem.

Então foi ele, foi Paulo Ubiratan quem abriu a porta da minha cozinha no Edifício Solar. Walter tem certeza até hoje, Paulo foi ver o que aqueles dois tanto riam. Eu desconfio, e respeito.




foto: Robert Doisneau

Escrito por Andréa del Fuego às 12:13 PM
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Primavera dos Livros

Estarei neste final de semana na Primavera dos Livros participando de dois eventos. Será no Centro Cultural São Paulo, uma feira com livros vendidos com 20% a 40% de desconto, além de uma programação polpuda e gratuita: teatro (Os Satyros), cinema, discussão sobre blogs com Indigo, Rosana Hermann, Ivana Arruda Leite e Bruna Surfistinha (vai sair porrada) e até física para crianças. Será um playcenter, venha, conferimos novidades literárias e tomamos uma Fanta.


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No domingo, dia 20, participo do Desconcertos na Primavera. Desconcertos é um evento pilotado pelo Claudinei Vieira, apresentado com sucesso na Casa das Rosas. Esta é uma edição especial para o evento Primavera dos Livros. Ele convida um autor, este apresenta um texto de um autor que o tenha influenciado, um próprio e apresenta um autor contemporâneo em quem ele bote fé.

Participei duas vezes como a autora "boto fé". Uma vez convidada pela Ivana Arruda Leite e depois pelo Xico Sá. Uma honra.

Agora estarei lá apresentando minha influência (uma delas) Machado de Assis. E um autor contemporâneo em quem eu boto fé, Tadeu Sarmento. Depois da leitura, abrimos um bate-papo, te espero lá. Confira os autores convidados:





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Antes, no sábado, dia 19, estarei com as:





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Veja toda a programação aqui.

Escrito por Andréa del Fuego às 12:32 PM
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Conto?



foto: Bill Brandt

Escrito por Andréa del Fuego às 11:18 AM
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2001

Há cinco anos botei o pé na rede pela primeira vez. André fazia sites impecáveis pra gente como Hector Babenco, Alexandre Herchcovitch e Jorge Ben (primeiro site oficial em Flash do Brasil). Pois bem, eu do lado pedindo pr'ele fazer o meu. Evidente. Ele instalou o Flash na minha máquina e "tentaê, que eu tenho que trabalhar".

Fiquei tão fascinada com aquela mistura de tela e edição de cinema, o dinamismo do programa, que fui rabiscando o site sozinha, lápis de cor e papel. Hoje, navegando por ele, vi erros grotescos. E quem disse que eu me lembro como sequer abrir o programa? Nada. Tem coisa que eu queimaria, mas vai ficar assim, tenho carinho por meu rupestre digital.

Clique em 'Baú', o melhor do Instelar.

Escrito por Andréa del Fuego às 03:01 PM
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Qual é o som do que você sente?

Emitimos sons ao sentir. Na dor você geme de um jeito, no alívio, de outro. O som é parte da sensação ou um jeito de expulsá-la?

Há uma música interna, um CD onde as faixas estão explícitas, você inicia onde quer, no meio da canção, no final, e até risca se pesar a mão. Os orgãos celebram a comida que chega e a comida que sai. Sons do corpo escapolem, você captando ou não. Vai que uma sinfonia entre teu esôfago e o estômago falem à rima do corpo de alguém. E nós aqui achando que a música só acontece quando tocamos uma harpa, flauta, que a música precisa de instrumento.

A pedra forma círculos sobre a superfície da água, atirada nela, a vibração do seu toque rompe o liso da represa. Seria essa vibração a mesma que acontece com alguém ao receber nosso sinal? Nosso verbo é a pedra, o outro é a represa, o círculo é o som.

Escolher as músicas que se quer ouvir, é uma extensão e realização da vontade de escolher o que se ouve do outro. Caso a vibração do verbo se fizesse partícula, como na quântica, nossas palavras seriam palpáveis, cairiam sobre os pratos na mesa, no colo dentro do ônibus. Andaríamos com um babador-cesto para que as ruas não ficassem poluídas de partículas verbais, vogais e consoantes formando uma camada de neve, até no verão. Neve? Como se a palavra tivesse cor. E tem?

Ainda bem que o pensamento não se materializa logo que nasce, como é ele um cavalo livre, a todo momento nasceria mais uma matéria desembestada. Fóssemos capazes de pensar blocos inteiros de matéria, com tudo o que já foi dito, teríamos algumas pirâmides tortas, sem lados perfeitos, sem base que as sustentem. A queda. Eis uma vantagem das palavras enquanto vozes, elas vibram, mas não se encarnam; só palavras escolhidas é que tornam-se partículas, viram partituras, plantas de prédio, comício partidário, receita médica, feliz aniversário, Marisa Monte.

A palavra escrita tem som, este bem mais íntimo e discreto, quase comendo do mesmo prato que o sonho, onde até cantamos, mas calados. A palavra falada é um oferecimento de nossa existência à terra; você escolhe o que diz? Nem pergunto se escolhe o que ouve, não há muitas barreiras possíveis para o ruído do mundo. Ainda que fosse orquestrado por Quincy Jones.




foto: Peter Fetterman Gallery


(crônica publicada na edição 62 da Revista MTV)

Escrito por Andréa del Fuego às 10:07 AM
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Luxúria

Fiz essa minúscula entrevista há quase dois anos para uma revista que, pena, não saiu do projeto. Ela foi publicada no Cronópios, e agora aqui, em casa.



Rei Salomão, que era homem de autoridade, já fazia a dança do véu. Vez ou outra aparece um lote erótico na praça: literatura, teatro, cinema, escândalo político.

A atriz Fernanda Torres, dirigida por Domingos Oliveira, levou para os palcos, em São Paulo, "A Casa dos Budas Ditosos" - romance sobre a luxúria de João Ubaldo Ribeiro, publicado em 1999 pela Editora Objetiva.

Trata-se do relato de uma baiana de 68 anos, a senhora CLB, que supostamente mandou para o escritor fitas contendo seus malabares na cama. Relatos tão íntimos causaram desconforto na platéia. Quanto mais íntimo, mais obscuro.

No embalo dessa inquietação procurei João Ubaldo Ribeiro, residente à cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras; e a escritora Márcia Denser, a musa de Paulo Francis com sua elegância erótica reunida em Diana Caçadora /Tango Fantasma pela editora Ateliê Editorial/Lêprosa.

Uma peteca com duas potências: um imortal e uma mortal comentam as transgressões ficcionais.



Andréa del Fuego: Por que a luxúria na voz de uma mulher?

João Ubaldo Ribeiro: Recebi uma encomeda e foi assim que me apareceu, uma brincadeira literária antiga que fiz para um pouco de brincadeira. Estava na cara que era brincadeira. Imagine seu eu revelaria a vida de alguém.

Márcia Denser: Vou falar de minha personagem Diana Marini. Ela é tudo, menos cabaço. Ela é gliter, brilhante, fulminante. É de uma perversidade atroz. Ela é uma deusa que eu não sou. Trabalhei com o arquétipo. Tem meu punch, mas vai além do que vai o ser humano. Se você quiser encarar o arquétipo você se arrebenta, não dá. Diana é sujeito da ação. (…) Não estava querendo ser erótica, não era o objetivo final, era minha educação vital, o experimentalismo literário.



Andréa del Fuego: Há exigência de passaporte para as palavras passarem do falado ao escrito?

João Ubaldo Ribeiro: Pode-se escrever sobre tudo, não vejo problema nisso.

Márcia Denser: Oralidade é uma coisa, escrita é outra. Escrita é muito mais intertextual, visual, elaborada. Zé Rubens Fonseca, por exemplo, passou pelo registro erótico, o conto Lúcia McCartney inaugurou a pos-moderninade, é fundamental. (…) A escrita é muito complicada se você quer abordar visualmente, evito os palavrões porque enfraquece o tesão. É uma questão técnica e não de conteúdo. E Jorge Amado já disse "erótico é aquilo que levanta o pau".



Andréa del Fuego: Em dado momento, a personagem CLB de "A casa dos budas ditosos", se vê preparada para maiores desafios, diz estar pronta para o "vôo solo". Já tivemos o "vôo solo" feminino?

João Ubaldo Ribeiro: Vôo solo? Não escrevi isso, tem certeza? Não gosto dessa expressão, onde está escrito isso*?

Márcia Denser: Sim, meu discurso é o primeiro transgressor, quebrei relações de poder. Até os anos setenta o discurso erótico era dos homens, as mulheres eram contidas. Sofri uma sanção absoluta, mas não tive medo. (…) O talento de escritoras lésbicas assumidas também é criticado porque é tendencioso, faz apologia da homossexualidade feminina, isso não pode acontecer em alta literatura. Literatura está acima da catequese. Só fica abaixo da estética, a literatura só fica abaixo da grande arte.



Andréa del Fuego: Depois dos 40 anos, ninguém tem mais o mesmo olhar?

João Ubaldo Ribeiro: Nunca pensei nisso, mas depois de certa idade você fica marcado pelo jeito com que se comportou pela vida toda.

Márcia Denser: Há uma certa maturidade, como escritora eu escrevia em rascunhos, corrigia muito, depois dos 40 eu encorporei a técnica. Um amigo disse "até os 20 anos nós somos escolhidos, depois dos trinta nós escolhemos, mas aos 40 nós elegemos". Depois dos 40 a gente se elege e elege, há uma integração da personalidade, dos lados negativos e positivos, não se quer mais perfeita, mas inteira.



Andréa del Fuego: Existe saciedade?

João Ubaldo Ribeiro: Não sei, difícil, não sei se existe.

Márcia Denser: Uma vez que você termina um grande texto ou uma grande transa, você só quer dormir, é o refluxo da alma e do corpo. Tem que deixar o reservatório encher. No campo da criatividade e do amor o refluxo é idêntico.




foto: Brassaï


*página 63, sexta linha

Escrito por Andréa del Fuego às 11:07 PM
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O escritor segundo o Ministério do Trabalho:

Profissionais da escrita

DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Escrevem textos literários para publicação, representação e outras formas de veiculação e para tanto criam projetos líterários, pesquisando temas, elaborando esquemas preliminares. Podem buscar publicação ou encenação da obra literária bem como sua divulgação.

FORMAÇÃO E EXPERIÊNCIA
O exercício do trabalho não requer formação escolar definida, sendo imprescindível o domínio da língua, bem como das linguagens específicas aos vários veículos de comunicação para os quais se pode escrever, como teatro, TV, cinema, etc. É freqüente a ocorrência de profissionais autodidatas.

CONDIÇÕES GERAIS DE EXERCÍCIO
Desenvolvem a escrita, trabalho intelectual e subjetivo, tanto no conteúdo, como na forma de organizá-lo e desenvolvê-lo. Trabalham geralmente como autônomos, podendo exercer outras atividades de forma concomitante à escrita. São encontrados em várias atividades econômicas, dentre elas, no ensino e nas atividades culturais e recreativas. Costumam trabalhar sozinhos - exceção feita aos autores-roteiristas que trabalham em equipes interdisciplinares, em geral, em horários irregulares. Os processos de concepção e criação são partes importantes do seu trabalho, assim como as habilidades de organização, pesquisa, obervação e reflexão.

ESCREVER TEXTOS
Adequar linguagem ao público alvo
Utilizar recursos retóricos para sedução dos leitores
Decodificar a obra para o público alvo
Escrever de acordo com as especificidades do gênero da obra
Elaborar e reelaborar o texto
Justificar as idéias apresentadas no texto técnico, didático e científico
Refazer o livro didático periodicamente
Apresentar relatórios do desenvolvimento do trabalho
Reelaborar o texto final considerando pareceres críticos

CRIAR PROJETO LITERÁRIO
Definir gênero da obra (forma e conteúdo)
Situar projeto em um determinado espaço, tempo.
Considerar público alvo
Buscar subsídios na memória (emocionais, experiência pessoal)
Buscar subsídios nas memórias de leituras (textos escritos, imagens, espetáculos, etc)
Definir formas metodológicas na obra didática
Considerar diretrizes dos órgãos oficiais
Considerar diretrizes formuladas para projeto
Considerar as diretrizes comerciais do projeto

PESQUISAR TEMAS PERTINENTES AO PROJETO
Pesquisar textos literários
Pesquisar fontes historiográficas
Pesquisar textos jornalísticos
Pesquisar teatro
Pesquisar cinema
Pesquisar palavras, gírias e formas de expressão
Pesquisar música
Pesquisar iconografia
Pesquisar os sons das palavras
Consultar especialistas
Realizar pesquisa de campo
Selecionar material coletado

ELABORAR ESQUEMA PRELIMINAR
Definir personagem
Desenvolver enredo
Definir espaço
Definir tempo

BUSCAR A PUBLICAÇÃO OU ENCENAÇÃO DA OBRA LITERÁRIA
Procurar editor para publicação
Enviar textos para concursos literários
Procurar produtor de teatro, cinema e televisão
Analisar propostas de trabalho pré-definidas
Procurar coordenador de coleções
Procurar agentes literários

DIVULGAR A OBRA
Participar de lançamentos da obra
Participar de mesas redondas
Divulgar a obra junto a críticos e resenhistas
Participar de feiras de livros e exposições
Utilizar a internet como meio de divulgação da obra
Participar de concursos
Realizar palestras para divulgar a obra
Conceder entrevistas

DEMONSTRAR COMPETÊNCIAS PESSOAIS
Demonstrar hábito de leitura
Demonstrar criatividade
Desenvolver intuição
Demonstrar senso de observação
Dominar a língua
Dominar a linguagem específica do veículo (TV, livro, cinema, teatro, jornal, etc)
Negociar contrato de edição
Discutir direitos autorais
Participar de comissões julgadoras


Recursos de Trabalho:
Computador; Dicionário; Iluminação; Livros; Máquina de escrever; Papel

Escrito por Andréa del Fuego às 01:11 PM
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André de Toledo Sader

Casei-me com André e sua fotografia. André tem um acervo fotográfico monstruoso, ele fotografa há quase 30 anos. Passando por diversos orgãos de imprensa, tem retratos que vão te emocionar, eu te garanto. Fora as paisagens, os rostos, os porões e as luzes.

Agora ele divide o acervo: clique-me.

Escrito por Andréa del Fuego às 11:46 AM
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Nego tudo





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Capitu mandou flores





O Pequeno Príncipe me disse

BLABLAblogue





delfuego@uol.com.br





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