Andréa del Fuego


IVETE SANGALO

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(perdoem-me, esse post é uma aposta de boteco, Ivana, Marcelino, Indigo e eu estamos testando, é pra atrair os buscadores do google, aumentar os pageviews da casa, só hoje)

Escrito por Andréa del Fuego às 10:23 AM
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Quem lê ouve

Que você não vive sem música eu já sei pela revista que está lendo. Se gosta de música, é possível que goste de ler.

Escrevi metade de um livro de contos ouvindo a faixa Dança da Fada do Açúcar, de Tchaikovsky. Não sou erudita nem chatonilda, esse CD caiu em minhas mãos porque música clássica é vendida a preço de banana. Precisava de um campo neutro e achei que música clássica fosse música de elevador, das que não passam sentimentos agudos. Fosse chata, por isso clássica. Delicioso engano. Via cenas inteiras enquanto ouvia a afinação foda das orquestras.

Música é uma obsessão. Ouço por meses o mesmo CD, uma faixa por dias, o dia todo. Posso escrever sem ouvir música, mas não posso mais ouvir música sem escrever.

Cada vibe dá uma respiração, e o que constrói um personagem é a sua respiração própria. Tiro personagem de uma faixa de Karine Alexandrino; outro de Fabiana Cozza; quantas suicidas não tirei de Portishead! Adoro.

A literatura é uma narrativa musical. A escrita carrega um ritmo, uma pulsação, que em momentos de glória coincide com a sua, é aí o grande encontro entre o leitor e o escritor.

Quando procura um livro, você busca uma sintonia com o autor, como na música. Cada autor é uma banda, na primeira faixa, ou nas primeiras vinte páginas, você pode amar ou odiar de primeira. E assim como você redescobre um disco anos mais tarde, também redescobre autores que deu preguiça anos antes.

São campos vibratórios próximos, literatura e música, mas cada um tem seu lugar. Você pode ter outras ações enquanto ouve, mas não pode ter outras enquanto lê. Ok, você lê no banheiro, no metrô e correndo na esteira. Mas não dança enquanto lê, dirige ou se casa.

Música você pode repetir centenas de vezes no iPod, um romance é uma vez na vida, duas se for um leitor voraz. O livro exige maior disponibilidade.

Ouvindo música, o personagem é você, protagonista, único na cena mental. No livro, se não for generoso para a entrada de outros, vai fechar na página três. Por isso o cinema é tão sedutor, os personagens estão lá, a música também; o que não é o videoclipe senão os personagens da música?

A literatura tem inveja da música. Porque não é preciso que os ouvidos saibam ouvir, já nascem com essa faculdade. Já os olhos precisam aprender um alfabeto e a linguagem pra ler. Os prosadores orais ainda são fundamentais para as histórias. Taí, já pensou ouvir Hilda Hilst na voz de Seu Jorge? Eu looparia.






(crônica publicada na edição 61 da Revista MTV)

Escrito por Andréa del Fuego às 06:42 PM
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sábado



Senhora Inércia - performance das Irmãs Campanella, baseada num conto do Nego Tudo - Centro Cultural da Juventude.



a Senhora Inércia tenta capturar o movimento



o movimento escapa da Senhora Inércia



Luís Felipe, Marcelino Freire e Ana Paula Maia no camarim do Centro Cultural da Juventude, minutos antes de nossa leitura



o jabutável Freire desconfia



segunda parada - Mercearia São Pedro



tira a mão



o Bagatelas! Flávio Corrêa de Mello procura o França



mas é Dóris Fleury quem vem



Arruda não tem pressa



Keops já tá acostumado



Wilson Freire, agoniado, tenta botar um ovo engasgado



alegria de Lúcia é ver Wilson desenvolver a galinha



Jael vê com ternura a cachaça do povo subir



o Chocottone fugiu de casa, paga-se recompensa, criança doente



o Truman Capote, Rogério Augusto, acha tudo muito pequeno pra ele



o garçom Rodrigo acha que viu o Chocottone



o França nos manda achar o que fazer



antes que ele perca a paciência

Escrito por Andréa del Fuego às 09:59 PM
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...

"Quando dizem que minha literatura é doméstica, eu pulo isso, como pulo a maré."

Adélia Prado

Escrito por Andréa del Fuego às 03:27 PM
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O amigo Dani Hu, instrutor de dramaturgia, mandou-me esta:

...

Ouvi uma ótima hoje do Marcelo Médici (o Fladson de Belíssima) sobre as fases dos artistas.

1- Marcelo, quem?

2- Por essa grana? Só o Marcelo Médici...

3- Acho que o Marcelo Médici faria bem o personagem...

4- Marcelo Médici? Muito caro!

5- Tem que ser o Marcelo Médici!

6- Chama o Marcelo Médici!

7- Médici? Ah, não! Ele tá em quase tudo!

8- O Marcelo Médici é legal...

9- Podia ser o Médici... tá sumido, mas é um puta ator!

10- Quem é Marcelo Médici?

Escrito por Andréa del Fuego às 01:44 PM
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Como ganhar um Jabuti

Esse é o título de um conto que escrevi para uma saborosa antologia que já já chega na praça. Li este texto ontem, na Casa das Rosas, no recital das Escritoras Suicidas. Li por conta da ocasião, ontem estavam sendo apurados os finalistas do prêmio. O texto zomba essa nossa ansiedade sulfúrica que atormenta boa parte dos escritores: a expectativa pela grande resenha, a grande editora, a grande tiragem/venda, o grande livro.

Eis que Ivana Arruda Leite e Marcelino Freire estão entre os finalistas da categoria contos. Que sabor! Que os dois levem a tartaruga pra casa, os dois juntos, cada um com uma pata. E tem Marcelo Mirisola e Marçal Aquino, categoria romance, dois monstros que escreveram a mesma história em seus dois últimos romances, o amor, cada qual com suas penas inconfundíveis.


Ah! Comemore comigo, todos nós ganhamos com eles.

Escrito por Andréa del Fuego às 12:41 PM
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nesta semana

Vou saracotear por aí. Escolha seu evento, escolha todos e vamos nessa!


Dia 12, quarta-feira, Escritoras Suicidas na Casa das Rosas.



Recital das autoras do site Escritoras Suicidas. O site tem esse nome por ironia e charme e nada tem a ver com tendências mais luxuosas como tomar pílulas e deixar uma carta. É literatura feita por escritoras de todo o país. Estarão por lá Jane Sprenger Bodnar, Jussara Salazar, Mara Coradello, Marília Kubota, Mariza Lourenço, Ro Druhens, Silvana Guimarães, Valéria Tarelho, Virna Teixeira, eu e Mônica de Oliveira.

Casa das Rosas, Avenida Paulista, 37, às 19h30.

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Ainda dia 12, quarta-feira, lançamento do livro Doze.



Vanderley Mendonça, editor da Amauta Editorial, a editora mais internacional do Brasil, lança novo selo na praça, o Demônio Negro. Pra começar a estante, Vanderley lança a antologia Doze. O livro foi feito à mão, todo e completamente à mão, das costuras à alma. Edição limitadíssima, tem que chegar cedo. No livro estão Beto Guimarães, Claudinei Vieira, Donny Correia, Furio Lonza, Gabriela Kimura, Índigo, Isolde Bosak, eu, Marcos Cesana, Marcelo Barbão, Rodrigo Gurgel, Yara Camillo.

Mercearia São Pedro, Rua Rodésia, 34, a partir das 20:00.

(da Casa das Rosas sigo pro boteco)

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Dia 13, quinta-feira, Desconcertos na Rato de Livraria.



Claudinei Vieira comanda o Desconcertos. Leva a literatura dos contemporâneos para a Casa das Rosas, fez parceria com o Sebo do Bactéria, escreve a cena literária e acompanha todos os lançamentos. Ele comemora um ano de site, presença e cachimbo a partir das 19:00 na Rato de Livraria. Terá poemagens de Claudinei Vieira e Eduardo Rodrigues, além de leituras com Márcia Denser, Indigo, eu, Yara Camillo e Ana Rüsche.

Rato de Livraria, Rua do Paraíso, 790.

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Dia 15, sábado, Noite Literária no Centro de Cidadania da Juventude.



Lá acontece o Amostra Grátis, uma mostra que reúne diversas linguagens artísticas em apresentações gratuitas. O evento é organizado pela Cia. Teatral A Vaca Tossiu, Instituto Sala 5 e pelo Centro de Cidadania da Juventude e recebe o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

A quarta edição vai acontecer somente aos finais de semana entre os dias 15 de julho e 13 de agosto, sábados das 16h às 20h e domingos das 14h às 18h.

Nicole Campanella é artista plástica e foi quem me convidou para o evento, pra minha surpresa e delícia ela apresentará uma performance inspirada no conto Escorpião do meu livro Nego Tudo. A Nicole vale um post só pra ela e o farei em breve, você me dará razão.

17:00 (Happening)
Senhora Inércia
Irmãs Campanella
Duração: 15’min
Através de uma transparência capta-se a dança com o desenho, é a tentativa de captura do movimento. A dança será feita com uma música da Bjork. O happening é inspirado no texto Escorpião, retirado do livro Nego Tudo de Andréa Del Fuego.


18:30 (Literatura)
Noite Literária
Duração: 1’30 min
A noite literária é um evento que reunirá prosa e verso que serão interpretadas pelos próprios autores, como uma espécie de sarau. Ambientada no anfiteatro e com caráter de espetáculo proporcionará uma forma de relação entre o público e a literatura contemporânea diferente do habitual. Estarão presentes: Andréa Del Fuego, Ana Paula Maia, Marcelino Freire, Manfred Barbosa, Kleber Palmeira e Natália Campanella.

Veja a programação completa aqui.

Centro de Cidadania da Juventude, Avenida Deputado Emilio Carlos, 3641, Vila Nova Cachoeirinha.

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ô trem bão!

Escrito por Andréa del Fuego às 12:20 AM
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Pináculo da Tentação

Chorei feito mulher em despedida.

Era despedida, estava claro, aquilo não ia dar mais em nada.

Queria partir de um amor e pra isso teria que partir da cidade. Não conhecia ninguém. Sem família, cresci num orfanato, lá pros lados de Alagoas.

Quando cheguei aqui, trazida pela razão de minha vida, primeira coisa que me capturou foram essas protuberâncias sem pudor.

Aquele homem de quem precisava me despedir era como essa cidade, essa Rio de Janeiro quente e úmida; parece mansa, mas te faz perder as horas, os limites da decência.

Sem o amor do homem, sem destino, sem nem bagagem de viajante, fui, essa marmanja que você está vendo, bater na porta de um orfanato.

Ver se me queriam para ajudar nas coisas em troca de moradia. Tinha experiência nos castigos, ia saber repetir exato por exato o que fizeram comigo. Fizeram bem.

— Com essa idade, minha senhora, só te resta um convento.

Foi quando me converti em mulher de Jesus.

Na cozinha do convento, lambuzada com creme de ovos, ouvi um zunzunzun vindo da despensa. Era a Madre Superiora revelando um segredo à outra irmã.

Estavam à procura de um pedestal naquela cidade para colocarem uma enorme estátua do Senhor. Diziam que eram ordens do Cardeal Arcebispo.

Não sabiam qual morro escolher para receber o Nazareno, se o Corcovado, o Pão de Açúcar ou o Morro de Santo Antônio.

Foi nisso que me veio a revelação, com as gemas açucaradas pela borda da boca, senti um troço nas pernas.

Disse à Madre que poderiam colocar-me no lugar do Senhor.

Poupar a imagem dele e colocar a de uma mulher como eu, que, por não dar conta de um amor sem retorno, se doou para um amor com retorno, mas sem carne.

Ela sugeriu-me vinte ave-marias e quarenta pai-nossos.

Então escrevi uma carta para a Ordem Arquidiocesana sugerindo meu sacrifício, ficaria ali, sol nascendo sol se pondo até o fim de meus dias.

Uma crucificação sem madeira nem pregos.

Disse ainda que, se fosse inconveniente eu ali no lugar do Nazareno, me contentaria morando numa caverna construída no interior da obra de pedra. Já tinha ouvido falar nos cristãos eremitas.

Queria eu agora isolar-me de vez, abrigada no coração do Cristo Redentor. Naquela maciça aparência, meu coração bateria ali dentro, uma mulher no oco de Jesus.

Bem no peito dele.

Pintaria de vermelho seu interior, onde eu seria sangue do seu sangue, poeira de sua poeira, monumento de seu monumento, iluminada pelos holofotes de Getúlio Vargas.



foto: Acervo Riotur


(conto do livro Minto Enquanto Posso, publicado em 2004 no jornal O Globo no concurso Contos do Rio)

Escrito por Andréa del Fuego às 06:13 PM
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Ensaia às tardes os gestuais do salão.

Como aterrissar a mão à mesa, como levá-la aos ares. A cigarrilha perfuma os dentes, neblina o hálito. O guardanapo tem um número de telefone, escondido nas meias. A luz se estreita nas saias do lustre, esconde a fadiga dos olhos. Madamas disfarçam a calvície, riem sem os ombros, dão a entender.




foto: Brassaï

Escrito por Andréa del Fuego às 06:27 PM
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