Andréa del Fuego


...

Vou ali salgar o couro, encher de areia o forro e já volto (é um pé lá, outro cá).


foto: Robert Adams

Escrito por Andréa del Fuego às 12:32 AM
[   ]




Hoje!

Xico Sá faz seu furdunço literário na Casa da Rosas. Vai ler contos inéditos, um clássico e um novo autor: eu. Já tive essa honra com Ivana Arruda Leite, que quando convidada, também levou texto meu. Delícia de tudo!

Xico Sá na Casa das Rosas
Sábado, 27 de agosto de 2005
Avenida Paulista, 37
Às 17hs



Escrito por Andréa del Fuego às 11:15 PM
[   ]




Jabaquara - Tucuruvi


— Você não tem cara de mulher casada.
— Não? Tenho de quê?
— Tem cara de quem, se por acaso aparecer um aí, se tiver vontade, deixa rolar.
— Você fala isso porque brinco assim com o Darlei? Vou lá todo dia no xerox porque ele é bonzinho.
— Olha a tua bolsa, você ia esquecer.

Estação Saúde, desembarque pelo lado direito do trem.

— Eles me deram só a última.
— Até agora eu não vi o meu. O Adaílton caiu da moto na marginal, pino na perna, gesso na costela, antes vinha um dinheiro do serviço dele, agora…
— Vai na igreja da Vila Carrão, lá perto da tua sogra.
— Não agüento mais pastor, Adelice, casar com um deve ser bom, mas ouvir de graça…
— Ó, chegou a tua.

Estação Praça da Árvore, desembarque pelo lado direito do trem.

— Repete.
— Ah! Sei lá, você falou primeiro.
— Fala de novo.
— Você é lindo.
— Linda.

Estação Santa Cruz, desembarque pelo lado direito do trem.

— Diz que a Alessandra Negrini está enorme.
— Você viu o cara? Diz que é cantor, eu nunca vi.
— Eu vi, um loiro desses bem branco.
— Ele é feio pra ela.
— Homem bom é homem moreno.

Estação Vila Mariana, desembarque pelo lado direito do trem.

— Se ele quisesse minha mão em bosta de casamento, essa hora eu tava perdida.
— Ainda bem que vocês não casaram.
— E não tem só essa menina não, tem um casal de gêmos lá no nordeste.
— Gêmeos?
— Gêmeos, um irmão do outro.

Estação Ana Rosa, desembarque pelo lado esquerdo do trem.

— Então, daí eu falei que nem.
— E ele?
— Daí ele falou "que nem o caralho".
— O bagulho é louco.
— Os caras são foda.

Estação Paraíso, desembarque pelo lado esquerdo do trem.

— ...
— …
— …
— Tchau!
— Tchau.


foto: Louis Faurer

Escrito por Andréa del Fuego às 06:02 PM
[   ]




...

Quero mais xixi, e do teu. Xixi pra encharcar tapete, sem abrir janela, ligar ventilador. Você sobe no sofá, eu viro a maçã do atirador de facas. Mire meus fios e os enxágüe, da nuca pra frente; teu amoníaco quebra a falsidade da seda, tira a soberba do brilho.


foto: Walker Evans

Escrito por Andréa del Fuego às 04:54 PM
[   ]




...

Carne untada com óleo de flor, britas de sal, cama de batatas, benzida com cheiro-verde. Tampa e abafa. Luva pra desabotoar à mesa, outra pra tirar do forno o suspiro. A sesta em roda da praça; a fonte borrifa, tomara-que-caia, a gota presa na saboneteira. Chapéu de aba larga pra caber você debaixo, inteiro na sombra, ao passo da minha.



foto: Elliott Erwitt

Escrito por Andréa del Fuego às 12:53 PM
[   ]




...

André de Toledo Sader, mon mari, dirigiu pela segunda vez o clipe da banda Sonic Junior, e pela segunda vez é indicado ao prêmio de melhor clipe de música eletrônica no VMB. Ele fez por merecer. Bem, além da merenda eu fiz a câmera.

Pra votar no site da MTV, os chatos pedem um cadastro, vale a pena, depois você assiste aos clipes todos (inclusive o nosso Xico Sá com Sidney Magal na categoria MPB, merece teu voto).

Assista agora ao clipe da faixa "Pulsar" de Sonic Junior, aqui.

Para votar, aqui.

Conto com seu voto e sua audiência.


fotograma: André de Toledo Sader

Escrito por Andréa del Fuego às 10:10 AM
[   ]




...

Melancolia sim, não tô pra gracinha.


foto: Bill Brandt

Escrito por Andréa del Fuego às 11:21 PM
[   ]




...

Não mando mais bilhete dentro da garrafa, eu mesma vou nela. Amarrada por barbante, nó cortês. A garrafa arranha tua canoa, pra me abrir tem que quebrar. Problema é que não suporto o golpe, sou folha de sagu, fécula de palmeira. Vai atirar o vidro contra as pedras, me ver esfarelar e não ler o que vim escrita; em tinta solúvel, tingir tua mão e o mar. Depois vem o baú e o estrado, todos bóiam até a costa. A pulseira fina a vaga traz depois, em lápis-lazúli, teu nome no verso, oxidada nas juntas.


foto: Emmet Gowin

Escrito por Andréa del Fuego às 08:52 AM
[   ]




...

É com essa serenata? Essa violinha cafona, essa franja na gola, esquece. Preu cair da sacada só a serenata negra. Silêncio pra rasgar um tambor do nada, palma grande na pele do atabaque. Percussão pra vibrar a medula, tirar o pino da granada; pólvora não pode ser branca. Dengosa é tua mãe, que ainda te adoça.


foto: Elliott Erwitt

Escrito por Andréa del Fuego às 12:04 AM
[   ]




...

Sou o homem certo pra te comer. Botei isso no telegrama e não mandei. Traio até hoje, a mesma, com a mesma. A que você sabia e agora sabe, são tantas. A carne dela é melhor que a tua, ela não se nega, é dada. Minto enquanto posso, só porque teu nome não esqueço, nem no telegrama, que toda sexta me chega na baia. Esqueci teu cheiro, não há jardim que me remeta a você. Não fui demitido, eu mesmo pedi demissão, botei isso no telegrama. Enquanto inventar frieza, invento eu calor pra subir feito zepelim, onde você não alcança; sem meu pau, você rasteja sob as copas. Vejo pelo binóculo teu rabo enrodilhar, enrodilha bonito, disso não sabia. Está na lei da inércia, você é bola de chumbo, que tanto chuto, mais a vejo no meu plano: retilínea e uniforme.


foto: Cornell Capa

Escrito por Andréa del Fuego às 11:28 PM
[   ]




...

Sou capaz de dizer quando beltrano apagou um comentário, mesmo que o tenha feito assim que o recebeu. Pois eu estava lá no momento em que foi publicado. Fascinante a liberdade de quem comenta, de quem o permite e a do leitor; me esbaldo.


foto: Fred Stein

Você se lembra do Prêmio Jaburu, promovido por Marcelino Freire em seu blog EraOdito? Uma versão irônica do Prêmio Jabuti, em que se premiaria o pior livro do ano. Aquilo foi um quiprocó de nego doido pra votar no pior escritor. Foi voto pra tudo que é lado, pro meu inclusive; tive três tortas na cara. Foi tanta volúpia, quase luxúria na liberdade do voto, que copiei e tenho até hoje todos os votos num arquivo de Word - duvido que Marcelino tenha isso. Eu mesma votei com pseudônimo, como se pra votar na Fernanda Young precisasse de anonimato. Não li a Fernanda e votei nela, de algazarra, de pirraça estranha.

Experimente o anonimato, é explosivo.

(continua aqui)


Escrito por Andréa del Fuego às 11:53 AM
[   ]




...

Espinhos de Guimarães - para Bernadette Lyra


Quando vi estava invadindo Guimarães Rosa. Entrei na cidade, na casa, na inspiração. Outros apaixonados havia, súditos como eu dentro de um ônibus cortando as terras do São Francisco. Por vezes na secura as veredas, filetes de frescor à flor da terra. Éramos uma procissão atrás da frase.

Entre nós uma senhora pensava a paisagem como fotograma, que ela editava pra encurtar a palavra. Vamos fazer um sorteio e para tal preciso de seus nomes, me diga o seu.

Falei.

Ela estremeceu, uma dor escapolia dela, o ônibus deu partida. Eu no banco do fundo esperando que seu choro estiasse. Ela veio até mim com uma moeda dobrada, te procurei por dez anos, esta moeda quem entortou foi um paranormal, agora é sua.

As mãos suaram um riacho e o metal sambava na minha palma. Você é Juliana, minha neta.

Contas feitas e eu não seria a reencarnação de Juliana, que quando morreu exalando jasmim, eu quebrava o dente num tombo fugindo de um menino. E sonhava com alguém gritando meu nome, o nome composto.

Mas eu já sabia, antes da viagem, o que tinha sido por duas vezes, regressão, eu fiz. Vou contar de dez a zero, no zero você me dirá onde está e quando.

Antes de emergir, soube de meus irmãos de sangue rarefeito, estão no oceano cantando para os turistas, são baleias jubarte. Só eu vim parar na poeira.

Recebi esta avó aos pés do Morro da Garça, lá onde é o quinto ponto cardeal, o centro. O escritor do mistério nos mascou, fez bola e colou atrás da poltrona. Nos uniu num dia qualquer. Eu neta, ela avó. As duas meninas na coincidência, na incidência.

Mandei carta para o paranormal, esperando revelações. Ele sugeriu concentrar-me às seis da tarde. Foi o que fiz no meio de um milharal.

Floresci.

Cadê Juliana?

Exalando jasmim no quintal da avó e nela, minha avó roseana, que sabe alinhavar o verbo. Juliana já não importa mais, importa nós duas, cascas de fruta arcaica.

Botamos nosso amor condenado na salmoura.

Meu retrato está na sua penteadeira. Sua alma está no meu altar, o mar. Com a moeda comprei alfazema pra Iemanjá. Pois onde é terra foi água, ela esteve onde está hoje o sertanejo. Iemanjá foi do sertão, onde deixou pedaços afiados de corais, rosa de Netuno, espinhos de Guimarães.



foto: Bill Brandt

Escrito por Andréa del Fuego às 02:38 PM
[   ]




...

Aos poetas, desculpem-me o ordinário do tema.

Esta entrevista foi encomendada pelo BOL, site onde assinei a coluna Centrífuga. No submundo do amor, aquele que ninguém assume, ninguém desconfia, encontrei Roberto, carioca, 32 anos. O objetivo foi conhecer os sentimentos e a profissão. Roberto é puto.


Delfuego: Te encontrei através de uma amiga que utilizou teus serviços, você tem anúncio em jornal?

Roberto: Estou trabalhando há sete anos. Não tenho anúncio, só trabalho por indicação, é muito melhor, mais seguro, você já sabe mais ou menos o que vai encontrar, por anúncio pode vir qualquer uma, não atendo qualquer uma.

Delfuego: Muitos garotos de programa atendem gays, você atende só mulheres?

Roberto: Atendo casal, mas não me relaciono com o homem, só com a mulher, às vezes duas mulheres me chamam, duas amigas, amigas adoram fazer festinha, às vezes uma mulher sozinha.

Delfuego: Quanto você cobra?

Roberto: R$ 300,00 a hora e R$ 1.000,00 o dia. E digo mais, está barato.

Delfuego: E o casal que te procura? São casados, namorados?

Roberto: Raros os casados, a maioria é amante.

Delfuego: Os clientes levam drogas?

Roberto: Se levam tô fora, não dá pra cair nessa, ficar um viciado, se acabar, quero trabalhar muito ainda.

Delfuego: Tem outras fontes de renda?

Roberto: Claro, pra ser legal tem que ser assim, não posso ficar dependente da grana que vem disso, se não a diversão vai embora.

Delfuego: Rola tesão?

Roberto: Rola muito tesão, principalmente quando são bonitas, quando não são, penso nas bonitas, se estou na chuva é pra me molhar.

Delfuego: Com casal, acontece do homem ficar com ciúmes?

Roberto: E como! Do cara parar tudo e me mandar embora. E quando é assim a mulher sempre me liga no dia seguinte, quase sempre com uma amiga.

Delfuego: Com camisinha? (essa pergunta foi ingênua, ele jamais assumiria o não-uso).

Roberto: Claro, com camisinha.

Delfuego: Você tem namorada?

Roberto: Sim, namoro firme há dois anos.

Delfuego: Ela sabe?

Roberto: Claro que não.

Delfuego: E como faz pra disfarçar?

Roberto: Como você faz?

Delfuego: Eu? Como assim?

Roberto: Ninguém mente melhor que mulher, mulher mente três vezes mais que o homem e sempre muito bem.

Delfuego: Por que?

Roberto: Deixa pra lá.

Delfuego: Você leva brinquedinhos?

Roberto: Que isso! Sou todo natural. Experimente um dia, você vai gostar.

Delfuego: …

Roberto: É um fast food, você pode escolher e não tem vínculo. Mesmo que não goste, experimente! É só prazer.

Delfuego: …

Roberto: Se eu fosse rico jamais me casaria, sairia com todas as mulheres, uma japonesa na segunda, uma negra na terça, loira na quarta, sem vínculo.

Delfuego: Você escolhe as mulheres que atende?

Roberto: Só atendo mulheres de 20 a 35 anos, passou disso só em casos especiais como uma atriz global muito interessante que me chamou, gostou e repetiu. Em mulher não tem nada pra subir, homem é diferente, tem que apetecer de algum jeito.

Delfuego: O que as clientes pedem?

Roberto: Elas pedem carne, muita carne, pedem tudo: com o marido é sempre mais difícil elas se soltarem, fica muito família, com o amante elas viram do avêsso. Bato nelas se pedirem, aliás podem pedir até um pai-nosso, um terço inteiro, sou um funcionário, um servo, estou recebendo pra isso.

Delfuego: Beija na boca?

Roberto: Dependendo da mulher sim, tem mulher que é demais, beijo mesmo.

Delfuego: Já se apaixonou? Fantasiou com as duas, cliente e namorada?

Roberto: Já me apaixonei sim, é normal. Tive vontade de procurar, mas nunca fiz isso, tive que ser profissional; o contrário já aconteceu também, elas se apaixonam. E fantasiei minha namorada com uma cliente sim, mas isso não daria certo nunca!

Delfuego: Tem medo de perder a namorada?

Roberto: Não, tenho medo de perder a cliente.


Como a conversa foi por telefone, não obtive aquelas informações corporais que denunciam segredos. Ele concedeu a entrevista acreditando que me dando corda eu pudesse requerer seus serviços. Foi se livrando de mim assim que percebeu que eu só falaria e não pagaria por isso. Não consegui indagar coisas mais íntimas e fundamentais por repentina timidez. A quem possa interessar, paguem pra ver.

Escrito por Andréa del Fuego às 11:51 AM
[   ]




...

Queridos, já volto.

Escrito por Andréa del Fuego às 04:57 PM
[   ]




...

Memórias Póstumas de Brás Cubas

"E vejam agora com que destreza, com que arte faço eu a maior transição deste livro. Vejam: o meu delírio começou em presença de Virgília; Virgília foi o meu grão-pecado da juventude; não há juventude sem meninice; meninice supõe nascimeno; e eis aqui como chegamos nós, sem esforço, ao dia 20 de outubro de 1805, em que nasci. Viram? Nenhuma juntura aparente, nada que divirta a atenção pausada do leitor: nada. De modo que o livro fica assim com todas as vantagens do método, sem a rigidez do método. Na verdade, era tempo. Que isto de método, sendo, como é, uma coisa indispensável, todavia é melhor tê-lo sem gravata nem suspensórios, mas um pouco à fresca e à solta, como quem não se lhe dá da vizinha, nem do inspetor de quarteirão. É como a eloqüência, que há uma genuína e vibrante, de uma arte natural e feiticeira, e outra tesa, engomada e chocha." - Machado de Assis


foto: Fred Stein


Escrito por Andréa del Fuego às 11:18 AM
[   ]




...

Resenha do Ronaldo Bressane para a Vogue RG

"É do careca que elas gostam mais. Eu explico. O carequinha romancista mineiro Luiz Ruffato (Eles Eram Muitos Cavalos, Inferno Provisório) chamou para si a gloriosa tarefa de detectar um fenômeno ainda pouco percebido por críticos literários: a avassaladora presença das mulheres na literatura brasileira contemporânea. O fenômeno deu duas importantes antologias, 25 Mulheres Que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira e esta, com mais 30 musas vindas de todo país. Na terra da santíssima trindade Clarice-Hilda-Lygia, isso era o esperado. Afinal, mesmo que este resenhista não acredite em uma expressão como "literatura feminina", é possível que só mesmo as mulheres prestem atenção em minúcias a que escribas machos insensíveis não atentem. Para o alívio das autoras, Ruffato aqui elenca algumas saborosas confirmações, como Adriana Falcão, Veronica Stigger e Elvira Vigna. E também está esperto em sacar novatas de peso como Cecília Giannetti e Andrea del Fuego (na foto). Claro que ambas as antologias são desiguais e há momentos em que o cruel resenhista tem vontade de mandar alguma escritora de volta pro tanque." +30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira (Record), 302 páginas, R$ 32.


foto: André de Toledo Sader

Escrito por Andréa del Fuego às 10:43 AM
[   ]




...

Há uma coisa que dissolve ossos, e há outra que os constrói. Foi por isso que te dissolvi, pra você voltar. Voltar com fêmur de macho, calcanhar sem a ferida. Foi por isso que te construí, pra você ir embora. Ir com o pulso aberto e o joelho rompido. Há resíduos da operação, o cálcio do vai e vem, e dele fiz tua tíbia, que é minha, minha flauta.


foto: Fred Stein

Escrito por Andréa del Fuego às 09:00 AM
[   ]




...

Agora essa. Apareceu um rato em casa, atrás do fogão. André saiu atrás, o rato se enfiou na sala e sumiu. Rato é corda de navio pestilento, idade média, algo que me espia sem que eu veja. Corri comprar produtos de limpeza profunda, limpar minha alma da peste negra.

Depois do jantar, enfiei minha cara na fruteira, e eis que a maçã nos revela: o pomo com a polpa roída por dentinhos, ele comeu nossa fruta. André acha que é uma rata grávida procurando alimento, tentando fazer ninho, mas onde? Atrás do meu fogão? O fogão não é dela e este ninho é meu, ela vai ter que entender isso.

Visto que ela sobe na mesa, entra em fruteira e rói, botei as frutas na geladeira, o resto, inviolável dentro de potes. Mas ela luta, dia seguinte, a madame não achou comida e jogou meus cadernos de receita pelo chão da cozinha; ela é vingativa.

Na lavanderia, onde boto panos de prato na programação oito, molho e água quente, ouço um farfalhar, mas não a vejo. A rata está num buraco debaixo da porta, como ela passa por ali só um cristão explica. André, que não é cristão, acha que há uma galeria e que ela tem amigas.

Bom dia, como mato ratos? A senhora pode levar esse tapetinho com cola, ele se atrai pelo cheiro e fica colado, morre aí mesmo; e tem esse pó que ele come e fica seco. Outra opção, penso, é deixar a casa pra ela e ir morar com minha mãe.

Não tenho problemas com baratas, nunca matei uma. Claro que as afasto para que as visitas me imaginem sã; admiro seres que estão aí desde os dinossauros. Agora, outro mamífero comendo minha maçã, não trabalho.

Escrito por Andréa del Fuego às 12:11 PM
[   ]




...

Vou até a torre pra me deitar debaixo dela, a Eiffel, sua ponta feito agulha no disco, pinicando Edith Piaf. A torre um garfo, o céu a mesa; os talheres sobre linho. Valso no salão, tenho dote, mas não caso. Princesas não são degoladas, primeiro as rainhas.


foto: Louis Stettner

Escrito por Andréa del Fuego às 09:50 AM
[   ]


[ ver mensagens anteriores ]



 
Histórico
  Ver mensagens anteriores


LIVROS


Nego fogo





Engano seu





Nego tudo





Minto enquanto posso





juvenil


Sociedade da Caveira de Cristal





Quase caio





antologias


Os Cem Menores Contos
Brasileiros do Século






Fábulas da Mercearia





30 Mulheres que Estão Fazendo
a Nova Literatura Brasileira






Doze





69/2 Contos Eróticos





35 Segredos para chegar a lugar nenhum





Contos de algibeira





Capitu mandou flores





O Pequeno Príncipe me disse

BLABLAblogue





delfuego@uol.com.br





O que é isto?